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Ordem quebrada: RPG que seria vitrine da Switch 2 desembarca no PS5 no mesmo dia

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A editora Stellar Kite passou os últimos cinco meses repetindo que Order of the Sinking Star seria o “cartão-de-visitas técnico” da Switch 2. Nesta quarta (12), inverteu a lógica: o RPG de fantasia sairá em 2026 já com versão para PlayStation 5, no mesmo dia do lançamento.

A reviravolta não é só questão de plataforma. Ela expõe o cálculo de sobrevivência de médios estúdios num mercado em que o tempo de exclusividade custa mais caro que o próprio marketing — e antecipa quão apertada será a briga pelos primeiros grandes jogos da nova Nintendo.

Exclusividade virou luxo que editoras AA não conseguem mais bancar

Segundo fontes ouvidas pelo portal, o orçamento de Order saltou de US$ 45 milhões, estimados em 2022, para algo perto de US$ 70 milhões após migração parcial para a Unreal Engine 5 e adoção de captura facial completa. Mesmo com o suposto poder “próximo ao PS4 Pro” da Switch 2, a base instalada zero no dia 1 se mostrou arriscada demais para recuperar o investimento.

Há outro dado invisível a quem acompanha apenas números de vendas: royalties de lançamento. A Nintendo oferece percentuais menores quando banca marketing global; já a Sony, dizem executivos, topou relacionar parte dessa vitrine ao desempenho. Dessa forma, a receita potencial no PS5 ficou, no pior cenário, 28% maior que a previsão original exclusiva.

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A situação ecoa o movimento de outras editoras médias que preferem diluir risco lançando em múltiplas vitrines. A Electronic Arts, por exemplo, elevou o preço da edição Ultimate Plus de FC 27 a €160 para turbinar margem em plataformas com grande base ativa. Quem não tem franquia anual precisa, no mínimo, duplicar o alcance.

Nintendo perde trunfo simbólico antes mesmo de revelar o console

O caso tira da Big N um argumento clássico: apresentar hardware novo com jogo externo que pareça “feito sob medida” — papel que Order teria, ao lado de um provável Mario. Agora, o marketing precisará conviver com comparações diretas de resolução, taxa de quadros e recursos de ray tracing que o PS5 já domina desde 2020.

Internamente, o prejuízo é mais de imagem do que financeiro. Fontes ligadas a desenvolvedores parceiros contam que o pitch da Nintendo enfatizava exclusividade temporária de 12 meses como via de redução de custo de licenciamento. A escolha da Stellar Kite de abrir mão desse desconto põe pressão sobre futuros acordos — e pode inflar o preço do line-up de lançamento para a empresa japonesa.

A Sony também enxerga oportunidade. A companhia pretende usar o burburinho para empurrar a narrativa de “ecossistema sólido” antes mesmo da chegada do sucessor do PS5, cujo novo controle com sistema magnético anti-drift já está patenteado. Ter mais um RPG denso no catálogo ajuda a manter jogadores engajados enquanto a linha first-party vive ciclo de transição.

Fôlego comercial ditará o futuro dos próximos grandes anúncios

O sinal emitido por Order of the Sinking Star vai além de uma plataforma a mais: ele sugere que jogos AA precisam de 15 a 20 milhões de potenciais compradores no dia 1 para fechar a conta. A Switch 2 deve começar bem abaixo disso, e só as superproduções internas da Nintendo suportam tal delay de retorno.

Se a tendência se confirmar, os próximos meses devem trazer mais renegociações de exclusividade e, possivelmente, combos de lançamento “dois em um” parecidos com o que a Amazon tem feito ao espaçar seus blockbusters. No fim, quem ganha é o jogador multi-plataforma; quem se sente pressionada é a fabricante que precisa provar, jogo a jogo, que vale a aposta no console novo.

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