Um mês antes da estreia oficial, “Lanterns” recebeu nos bastidores a primeira avaliação completa — e não foi apenas positiva: foi tratada como “o piloto mais sólido da história recente da DC” por quem assistiu ao corte-beta. O comentário, que vazou de uma sessão restrita a licenciadores da Warner Bros. Discovery, detonou uma corrida interna para recalibrar o marketing e sinaliza que a franquia liderada por James Gunn talvez tenha encontrado, enfim, o ponto de virada.
O timing não poderia ser mais dramático. O estúdio ainda lambe as feridas do fiasco comercial de “Supergirl”, cuja bilheteria global de US$ 258 milhões frustrou projeções e congelou parte do calendário. Se “Lanterns” mantiver nas telas o que encantou na sala de exibição secreta, a série chega não só para inaugurar a fase investigativa do novo DCU, mas para provar a investidores que a estratégia de “capítulos cruzados” continua viável.
Sinal verde veio do que estava em xeque: tom adulto e dupla de protagonistas
A principal desconfiança em torno de “Lanterns” era a aposta num procedural noir, mais próximo de “True Detective” do que do espetáculo colorido que o público associa aos Lanternas Verdes. Segundo pessoas presentes na exibição-teste, o roteiro abraça o gênero policial sem renegar o sci-fi: Hal Jordan surge como investigador veterano, enquanto John Stewart faz o rookie que questiona a corporação intergaláctica. O contraste foi descrito como “tensão orgânica”, recurso que permite apresentar dois Lanternas de uma vez, filosofia que Gunn já confirmou para “Superman 2”.
A fotografia turva e o uso contido do anel — restrito a poucas, mas inventivas, sequências de construtos — atenderam ao pedido da chefia por menos pirotecnia digital e mais textura real. O efeito colateral é o respiro orçamentário: cada episódio custou cerca de US$ 14 milhões, quase a metade do orçamento de “Pacificador”. Essa contenção tranquiliza o CFO da Warner, que atribuiu parte do prejuízo de “Supergirl” ao “excesso de tela verde sem alma”, frase que vazou em memorando interno.
Por que a leitura empolga Wall Street mais do que os fãs de quadrinhos
Para investidores, o entusiasmo inicial tem peso adicional: “Lanterns” estreia direto na HBO Max e servirá de baliza para o potencial de assinaturas internacionais, ainda tímido na América Latina. Se o boca a boca replicar a recepção do screening, a plataforma ganha munição na renegociação de pacotes com operadoras — fonte de 28% da receita bruta do grupo.
No curto prazo, o estúdio pretende usar a boa vontade para desviar o foco da ausência de Mulher-Maravilha no próximo filme do Superman, reforçada por novos vazamentos de set. A ordem interna é simples: os Lanternas precisam “segurar o bastão” até o longa de 2025. Caso contrário, a piada sobre uma “liga sem trindade” voltará a assombrar as calls trimestrais.
Detalhe que passou despercebido: a série já semeia o oitavo capítulo antes mesmo do primeiro ir ao ar
Embora o marketing publique apenas teasers de 15 segundos, quem conferiu o piloto garante que o objeto alienígena encontrado no pântano da Louisiana carrega um símbolo familiar aos leitores de “Lanternas Negras” — e não é acidental. A figura conecta diretamente ao capítulo oito do DCU, anunciado precocemente por Gunn, e prepara um arco de terror cósmico dentro do universo compartilhado.
Em outras palavras, “Lanterns” assume de cara a função de cola narrativa, algo que “Supergirl” falhou em entregar. Se colher na audiência o mesmo aplauso reservado na cabine-secreta, a série transforma o maior medo da Warner — perder tração antes de “Superman” — no seu maior ativo: provar que o DCU consegue se reerguer exatamente com seus personagens de “segunda prateleira”.
Com isso, James Gunn ganha fôlego para decidir se avança no projeto de zerar o Batman — pressionado pela ausência de Robert Pattinson — e para mostrar que, desta vez, o tal “plano de dez anos” não será apenas mais um powerpoint perdido na Batcaverna corporativa.
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