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Ranking do ScreenRant vira do avesso a hierarquia dos shonen e expõe racha de gerações

O resultado chegou como um soco de Detroit Smash: numa enquete com mais de 20 mil votos, leitores do portal norte-americano ScreenRant elegeram Fullmetal Alchemist: Brotherhood o melhor shonen de todos os tempos, empurrando “Dragon Ball Z” para a quarta posição e “Naruto” para quinto. O top 3 foi completado por “Demon Slayer” e “Jujutsu Kaisen”, títulos que sequer existiam na década em que Goku virou sinônimo do gênero.

O placar inverte o senso comum de que a coroa pertence aos veteranos e abre uma brecha num debate que vinha crescendo desde a enquete “Goku vs. Saitama”, detalhada aqui na Rádio Geek. A disputa de popularidade deixou de ser só sobre força de personagens; virou um recorte etário capaz de reposicionar franquias inteiras no mercado global.

Votação derruba mitos e reacende guerra de gerações

Nos números divulgados pelo próprio ScreenRant, “Brotherhood” ficou com 28 % dos votos válidos, contra 19 % de “Demon Slayer” e 15 % de “Jujutsu Kaisen”. “Dragon Ball Z” estacionou em 12 %. Quem cresceu nos anos 1990 estranhou ver o saiyajin fora do pódio, mas o dado conversa diretamente com a análise sobre a obsessão de Goku em ultrapassar limites: a narrativa perpétua começa a afastar parte do público que prefere histórias fechadas ou arcos mais curtos.

A inversão também desmonta o dogma do “Big Three” (Naruto, One Piece e Bleach) que dominou a indústria no início dos anos 2000. “One Piece” ainda apareceu em sexto, mas Bleach sequer entrou na lista de nove finalistas. A mensagem para estúdios japoneses é explícita: mesmo produções recém-chegadas, quando lançadas com pacing enxuto e animação premium, ganham tração suficiente para superar décadas de capital simbólico.

  • Top 9 segundo os leitores: Fullmetal Alchemist: Brotherhood; Demon Slayer; Jujutsu Kaisen; Dragon Ball Z; Naruto; One Piece; Hunter × Hunter; My Hero Academia; Attack on Titan.

Streaming reescreve o conceito de “clássico”

O salto das séries pós-2019 no ranking não é coincidência. Hoje, “Demon Slayer”, “Jujutsu Kaisen” e a versão remasterizada de “Brotherhood” estão a dois cliques em plataformas com dublagem simultânea. Já “Dragon Ball Z” ainda depende de recortes em canais lineares ou de boxes físicos caros, o que explica a queda de participação entre votantes de 18 a 24 anos.

O que revela o painel etário da votação

Um detalhe quase perdido no rodapé do levantamento: 46 % dos participantes têm até 25 anos. Entre eles, 63 % colocaram algum título pós-2010 no topo da preferência. Na faixa 35+, esse percentual despenca para 21 %. A fratura se torna oportunidade comercial — não por acaso, a Shueisha vem reembalar arcos clássicos, como mostrado na peça sobre o “Goku do Além”, tentando atrair a galera que agora dita o algoritmo.

O ranking do ScreenRant não encerra a discussão, mas aponta um deslocamento claro: a ideia de clássico, que antes dependia de memória afetiva e exibição na TV aberta, hoje nasce no streaming — e pode acontecer em apenas duas temporadas. Se os veteranos quiserem permanecer relevantes, talvez precisem de mais do que transformações de cabelo ou capítulos infinitos; precisarão, sobretudo, de acessibilidade e ritmo capaz de seduzir a audiência que já nasceu maratonando.

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