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Rascunho inédito de Toriyama bagunça a cronologia de Dragon Ball e esquenta os 40 anos da série

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Um esboço de 34 anos engavetado por Akira Toriyama acaba de vir à tona e põe em xeque a linha do tempo visual de Dragon Ball. O desenho mostra Goku já transformado em Super Saiyan enfrentando um Cell primitivo que pouco lembra o vilão visto no mangá dois anos depois.

Além do choque nostálgico, a revelação serve como senha para entender o próximo movimento da franquia às vésperas de completar quatro décadas: abrir cofres até então blindados e usar material inédito como combustível de marketing, colecionismo de luxo e, sobretudo, narrativa para um público que já viu quase tudo.

Rascunho antecipa Goku dourado e exibe um Cell que quase não existiu

Datado de 1990, o desenho foi feito quando Toriyama ainda lapidava a saga dos Androides. Na arte, Goku já ostenta o icônico cabelo dourado — algo que só apareceria oficialmente em 1991 na batalha contra Freeza. O detalhe reposiciona a gênese do Super Saiyan: a ideia circulava no estúdio antes mesmo de o autor precisar resolver o clímax de Namekusei.

Mais intrigante é o inimigo. O Cell do rascunho tem boca redonda, ausência de manchas e proporções de inseto menos agressivas, lembrando rascunhos descartados em entrevistas antigas. Ao exibir esse design embrionário, a Shueisha oferece pistas de quantas versões do bio-androide rodaram antes da forma final, uma pergunta que o fandom discute há anos em fóruns e convenções.

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Divulgação não é nostalgia gratuita: é ensaio para a próxima fase

O timing não podia ser mais cirúrgico. Em 2024, Dragon Ball completa 40 anos e prepara a estreia do anime Dragon Ball Daima, apresentado como “projeto especial” pela Toei. Ao liberar material inédito, o estúdio testa o apetite dos fãs por bastidores raros e mede o tamanho do bolso de um mercado que já pagou US$ 320 mil por um celuloide original de Goku, segundo casas de leilão japonesas.

Daima mira o público que cresceu com a série, mas que hoje consome produtos premium como a jaqueta de Gundam Wing ou box de colecionador de One Piece. Expor o rascunho de Toriyama funciona como prévia de um eventual livro de arte, NFTs licenciados ou até edições físicas limitadas, tendência que a própria Netflix adotou ao esconder em plena vista a “The Boys” da Marvel em animação japonesa.

Mercado de originais ferve — e a Toei quer a fatia dela

Nos últimos 18 meses, leilões japoneses viram valores de artes de papel saltarem 60%. Parte da especulação veio da escassez: Toriyama destruiu ou doou a maioria dos rascunhos nos anos 90. Cada nova descoberta, portanto, vira objeto de culto. Ao optar por revelá-la diretamente, a Toei evita o caminho tortuoso dos hiatos caros que afetam séries como Hunter × Hunter e mantém a roda girando enquanto Daima não chega.

Se o desenho recém-publicado já reescreve parte da cronologia visual, imagine o que podem fazer dezenas de cadernos que ainda dormem no arquivo. A peça de 34 anos é menos um presente ao fã e mais um aviso: nos 40 anos de Dragon Ball, a história oficial pode mudar a qualquer virada de página — desde que seja boa o bastante para caber em um pacote colecionável.

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