Rob Liefeld finalmente contou o segredo guardado desde que a Fox engavetou X-Force: Stryfe, a versão sombria de Cable, seria o grande vilão do longa que Ryan Reynolds e o roteirista Drew Goddard planejavam rodar antes da compra pela Disney. O detalhe veio à tona em um painel fechado a fãs e, de quebra, escancarou um problema que o MCU não consegue resolver há cinco anos: a ausência de antagonistas com densidade suficiente para sustentar tramas mutantes.
Ao revelar o plano cancelado, o criador de Deadpool oferece mais do que uma curiosidade de bastidor; ele entrega um roteiro de solução pronta que a Marvel Studios insiste em ignorar. Num cenário em que o próprio reboot dos X-Men já alerta para o risco de repetir o fiasco recente do MCU, a figura de Stryfe reaparece como aviso: sem inimigo marcante, não há franquia que sobreviva a mais um ciclo de hype desperdiçado.
Stryfe era a peça que faltava para o arco Cable-Deadpool se pagar no cinema
A Fox havia deixado ganchos em Deadpool 2: Cable viajou no tempo, salvou a filha de Firefist e ficou preso no presente. Esse desvio é justamente o ponto de partida do Stryfe dos quadrinhos, clone diabólico de Cable que domina tecnologia do futuro para semear guerras temporais. Segundo quem leu o tratamento entregue a Goddard, o roteiro colocava o vilão liderando um culto armado — recurso que permitiria um conflito adulto, distinto do humor anárquico típico de Deadpool.
Na prática, Stryfe daria ao público o duelo ideológico que faltou entre Cable e Deadpool, além de abrir uma avenida para participações de Domino e Colossus sem parecer fan-service. O antagonista teria cacife para justificar o orçamento na casa dos 150 milhões de dólares que a Fox calculava, valor modesto perto dos blockbusters atuais, mas suficiente para um filme que prometia classificação +18.
Disney herda a ideia, mas a urgência agora é maior
Com Deadpool & Wolverine prestes a estrear e a Fase 7 anunciada para o streaming, a Marvel precisa de um golpe de autoridade. A revelação de Liefeld torna pública uma alternativa pronta, endossada por fãs, para evitar que a nova era mutante caia no mesmo limbo narrativo apontado em análise recente sobre a falta de vilões fortes.
O que muda para Deadpool & Wolverine
A entrada de Wolverine no filme de julho de 2024 pode, paradoxalmente, complicar a volta de Stryfe. O foco no bromance entre Logan e Wade ameaça empurrar Cable para fora do centro, e sem Cable não há Stryfe que funcione. Ainda assim, executivos do estúdio já deixaram escapar que “nada está fora da mesa” nos planos pós-Guerras Secretas. Se a Marvel optar por resgatar o roteiro de Goddard, terá à mão um vilão com peso emocional e controle temporal — ficha perfeita para consertar furos de continuidade que já preocupam fãs, como se nota na ausência de heróis específicos no trailer de Avengers: Doomsday.
O recado de Liefeld, no fim, é claro: ignorar Stryfe é renunciar à chance de entregar o primeiro antagonista mutante à altura do MCU. Com a memória viva do projeto cancelado, o público agora sabe que outra saída existe — e a cobrança por um vilão realmente ameaçador vai começar já na primeira cena pós-crédito de Deadpool.
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