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Enquanto Invincible descansa, é a tesoura chinesa que corta mais fundo

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Mark Grayson ainda está juntando os ossos depois do final dilacerante da segunda temporada de Invincible, mas, do outro lado do mundo, a China já entregou o remédio para a abstinência: Scissor Seven, a série que transformou um cabeleireiro amnésico no anti-herói mais perigoso — e mais engraçado — do streaming.

Pouco mais de um ano depois da chegada da quarta temporada, o donghua criado por He Xiaofeng provou que não é só sátira; é também um raio-X político de uma sociedade que sangra pelos cantos, tão afiado quanto a tesoura telecinética de seu protagonista. Quem anda perdido entre reprises de Omni-Man pode estar ignorando um fenômeno que já soma meio bilhão de visualizações dentro da China.

Scissor Seven acerta onde Invincible hesita: a sátira que ri do próprio caos

Enquanto Invincible calibra o choque gráfico com longas digressões morais, Scissor Seven vai direto ao ponto: cada corte de tesoura é piada, crítica e catarse na mesma batida. A animação mescla traços minimalistas a explosões de cor que lembram a paleta psicodélica de Toriyama em seus últimos esboços. O humor físico — galinhas psicóticas, disfarces de dar inveja a Lupin III — convive com massacres dignos de Tarantino, mas sem romantizar a carnificina.

Essa ousadia técnica só é possível porque o estúdio SHAREFUN opera fora do eixo Hollywood–Tóquio. Sem o mesmo escrutínio dos boards norte-americanos, a equipe usa cortes rápidos e lapsos de traço para driblar censores: quando o sangue jorra, o enquadramento muda para preto-e-branco ou vira silhueta estilizada. O resultado mantém a violência explícita, mas com pegada artesanal que faz Invincible parecer render em 4K sem alma.

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Da praia de Xiaoji aos trendings globais: bastidores de um fenômeno improvável

No papel, Scissor Seven não tinha nada para dar certo. Orçamento baixo, produção quase independente e um herói que não pertence a nenhuma mitologia clássica chinesa. A virada veio quando o algoritmo da Tencent esbarrou na série em 2020; o boca a boca digital explodiu, e a Netflix correu para comprar as três primeiras temporadas logo depois. Hoje a dublagem em português rivaliza em memes com a de Zenless Zone Zero.

Mais que audiência, a obra conquistou confiança artística. A quarta temporada, lançada no outono de 2023, trocou o humor frenético por um arco dramático sobre separatismo e corrupção militar — assunto que a própria mídia chinesa trata com luvas de seda. Para o criador, foi a forma de “cortar” a linha tênue entre entretenimento e denúncia. A ousadia valeu: críticos locais compararam a saga ao impacto que minisséries seinen de alto teor causaram no Japão.

Onde assistir legalmente no Brasil

  • Netflix: três primeiras temporadas disponíveis com dublagem e legendas em PT-BR.
  • Bilibili Global (app e site): temporada 4 com legendas em inglês; VPN pode ser necessária.
  • Pré-compra de Blu-ray asiático: envio internacional liberado desde abril, mas sem legendas PT-BR.

A quinta temporada já está em pré-produção e promete revelar a origem do “Pente da Destruição”, arma mítica cujo design remete aos Gunplas relançados pela Bandai. Até que Mark Grayson volte a voar, a tesoura de Seven continua afiada — e pronta para provar que, no reino dos anti-heróis, o fio mais perigoso pode vir de quem só queria cortar cabelo.

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