Uma arte interna vazada na última reunião de licenciamento da Warner revelou o que ninguém esperava ver tão cedo: Lex Luthor dividindo o mesmo quadro — e o mesmo lado — com Superman, enquanto a sombra gigante de Brainiac toma para si o lugar de principal ameaça em “Man of Tomorrow”, continuação direta do longa previsto para 2025.
O movimento não muda apenas o antagonista; ele sinaliza que James Gunn decidiu acelerar o DCU para o nível cósmico já na segunda parada, ao mesmo tempo em que preserva o bilionário careca para uma virada moral futura — pista que conversa com a estratégia de múltiplas frentes de vilania analisada em reportagem anterior.
Lex sai do banco dos réus, mas continua peça-chave
Nos rascunhos originais, Lex seria o vilão de repeteco, mas o estúdio entendeu que a bilheteria do primeiro filme já consolidou o personagem — insistir nele arriscaria desgaste precoce. A solução encontrada foi mantê-lo em cena, porém deslocado para uma posição de aliado relutante, algo inédito no cinema live-action do Azulão.
Executivos que assistiram ao primeiro corte de concept reels descrevem um Lex “assustado com a perspectiva de perder o planeta inteiro para Brainiac” e, por isso, disposto a financiar a resistência kryptoniana. É o inverso do jogo tradicional: em vez de explorar o medo público de alienígenas, Luthor agora teme outro extraterrestre mais poderoso que ele não controla. Isso também destrava espaço narrativo para explorar a obsessão de Lex por controle absoluto — característica que pode voltar a mordê-lo quando a poeira baixar.
Brainiac traz escala de terror científico e costura o DCU ao espaço
A troca por Brainiac não é mero capricho. O vilão funciona como ponte natural para três frentes de expansão: 1) conecta o núcleo cósmico que estreia na série “Lanterns”; 2) legitima o horror corporal que Gunn já ensaiou ao liberar o visual grotesco de Clayface no futuro do DCU; e 3) prepara terreno para as Guerras de Coluan, arco que pode unificar filmes e animações num mesmo conflito interestelar.
Internamente, a equipe de efeitos adiantou testes de captura para simular as micro-sondas que desmontam cidades em segundos — ideia que conversa com a ambição de destruição em massa vista nos quadrinhos “Brainiac” de Geoff Johns. O objetivo é criar a sensação de que Metrópolis nunca mais será inteiramente reconstruída, elevando o custo emocional para Clark Kent e para o público.
Por que essa virada importa agora
Analisar a manobra apenas como troca de vilão perde a verdadeira cartada: a Warner reconhece que o público quer novidade dramática, não repetição. Ao mesmo tempo, adiar o confronto final com Lex cria expectativa acumulada e mantém ativo um dos ativos de marketing mais reconhecíveis do portfólio.
Se funcionar, o estúdio terá aberto caminho para um terceiro filme em que Lex retoma seu papel clássico, agora com capital político renovado por ter “salvado o mundo” ao lado de Superman — o tipo de ambiguidade moral que Gunn vem cultivando desde que esfriou rumores sobre o novo Flash em sua estratégia de silêncio calculado, como mostramos aqui. Se falhar, sempre haverá um Brainiac 2.0 pronto para apertar o botão de reinício multiversal.
No fim, “Superman 2: Man of Tomorrow” transforma a dança das cadeiras de seus vilões em termômetro de ambição: quanto mais longe Lex e Clark forem obrigados a ir juntos, mais perto o DCU chega de provar que tem fôlego para além do planeta Terra.

