Foi preciso menos de 90 segundos para a DCU escancarar que seu futuro começa na TV: o primeiro trailer de “Lanterns”, liberado nesta terça (11), coloca Hal Jordan — agora vivido por Kyle Chandler — no centro da campanha e faz da série o novo ponto de partida para todo o universo comandado por James Gunn.
Além do uniforme redesenhado e de um anel que parece “respirar” energia esmeralda, o vídeo deixa claro que o ex-piloto da Força Aérea surge veterano, assombrado por cenas de crime no espaço profundo. A decisão de focar em um Hal maduro desloca o eixo do hype para o tom investigativo prometido por Gunn e reforça a mudança de mãos na estratégia: antes do cinema, vem a assinatura no streaming.
Trailer entrega Hal veterano e clima de true crime cósmico
Logo de saída, Chandler narra as últimas transmissões de lanternas caídos em setores vizinhos, enquanto arquivos holográficos exibem nomes de vilões pouco explorados, como Greyven. A fotografia fria, herdada de thrillers policiais, confirma o pitch de “Seven no espaço” divulgado internamente a roteiristas.
Dois detalhes quase passam despercebidos: o número 2814, piscando na cabine de Jordan, indica que a trama mantém a cronologia clássica do setor da Terra, e um lampejo violeta no anel sugere a presença de energias emocionais além da força de vontade, algo que só apareceu nos quadrinhos uma década depois da criação do herói.
Marketing TV-first coloca Lanterns na linha de frente do DCU
O movimento de dar a primeira peça grande do tabuleiro para o streaming confirma a guinada já delineada quando o novo logo de “Lanterns” foi revelado: com salas de cinema ainda sofrendo pós-pandemia e sucessivos buracos de bilheteria, a Warner decidiu que a TV garante escala imediata de público e mensura engajamento antes de arriscar blockbusters de US$ 200 milhões.
Por isso, o trailer chega encorpado de chamadas para o Max — novo nome do HBO Max no Brasil a partir de 27 de junho — e oferece sete dias de degustação gratuita exatamente na semana da estreia. Na prática, a série cumpre a função que “Homem de Aço” fez em 2013: estabelecer tom, mitologia e ponto de convergência para crossovers futuros, incluindo o já comentado longa “Superman 2”, que, segundo insiders, trará pelo menos dois Lanternas à Terra.
Kyle Chandler preenche lacuna geracional e afasta fantasma de 2011
Escalar um ator de 58 anos contraria o padrão de heróis novatos, mas atende a dois objetivos: dialoga com fãs que cresceram nos anos 1990 — órfãos da versão animada de Hal — e alivia a pressão para comparações diretas com o filme estrelado por Ryan Reynolds em 2011. Chandler chega com o selo de drama adulto de “Friday Night Lights” e “Bloodline”, entregando bagagem emocional para tornar crível um oficial que carrega a culpa de dezenas de mundos destruídos.
A escolha também prepara o terreno para John Stewart, mais jovem, dividir holofotes sem cair em disputa de popularidade. Rumores apontam Yahya Abdul-Mateen II no papel, mas a Warner só deve bater o martelo após medir a reação ao trailer — método que o estúdio vem utilizando desde a reviravolta provocada pela possível fusão com a Paramount.
Com a estreia marcada para outubro, “Lanterns” já mostrou a que veio: vender assinaturas e provar, antes de qualquer longa-metragem, que o novo DCU pode combinar escala cósmica e drama de personagem. Se o público comprar a ideia, Hal Jordan não será apenas a face do corpo de Lanternas, mas o fiador de uma franquia que, desta vez, começa pelo streaming para depois tentar de novo a luz verde das bilheterias.

