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Nova turnê de “Spirited Away” dobra de tamanho e revela ensaio da era pós-Miyazaki no Ghibli

O anúncio de que a adaptação teatral de “Spirited Away” inicia nova turnê global em 17 de dezembro trouxe uma surpresa extra: cinco atrizes inéditas vão revezar o papel de Chihiro, multiplicando a montagem que já era vista como a mais ambiciosa da história do Studio Ghibli fora do cinema.

A decisão de turbinar o rodízio de protagonistas reforça a mensagem que a produtora japonesa evita dizer em voz alta há anos — mesmo que Hayao Miyazaki volte ao Oscar em 2024, o estúdio já testa no palco uma maneira de manter seus ícones vivos sem depender do fundador.

Escala ampliada expõe o apetite internacional pelo Ghibli ao vivo

A temporada anterior, lançada em 2022, limitou-se a Tóquio e a uma breve passagem por Londres, somando 190 mil ingressos. Agora, o roteiro salta para nove capitais — Nova York e Paris entram na lista, enquanto Sydney recebe a produção asiática de maior custo já levada à Austrália, segundo a organização local.

O reforço não é só geográfico. O diretor John Caird renegociou logísticas para levar o cenário giratório de 16 toneladas que imita a casa de banhos em navios cargueiros, evitando remontagens cidade a cidade. O investimento adicional, estimado por analistas em 12 milhões de dólares, indica confiança em um retorno que vem crescendo: a primeira pré-venda em Singapura esgotou em 46 minutos, superando o recorde local de “Hamilton”.

Rodízio de Chihiros desenha um futuro mais coletivo para o estúdio

O revezamento de atrizes — agora somando nove nomes, cinco deles novatos — nasceu por necessidade durante a pandemia, para evitar cancelamentos em caso de contágio. Virou, porém, laboratório de sucessão. Cada intérprete recebe liberdade para colorir a personalidade de Chihiro, numa prática incomum no teatro japonês, onde a cópia de gestos é regra. Nos bastidores, criativos contam que o Ghibli passou a observar quais nuances de atuação engajam públicos de faixas etárias diferentes, material valioso para futuros projetos de animação ou streaming.

A tática reduz risco de se apoiar em um único rosto e ainda oxigena a marca com talentos que não carregam o peso geracional de Miyazaki. É a mesma lógica que fez a Netflix apostar em repartição de protagonismo no épico Blue Eye Samurai, visto como termômetro para narrativas orientais fora do anime tradicional.

Licenciamento mira do palco ao guarda-roupa e fecha o cerco aos fãs

Na esteira da turnê, a loja oficial do Ghibli recolocou em pré-venda o cardigã inspirado na capa de Howl, de “O Castelo Animado”. É a primeira vez que uma peça limitada retorna com produção triplicada — sinal de que a companhia entendeu o efeito de “Spirited Away” como vitrine de consumo: 42 % dos compradores do figurino anterior relataram ter conhecido a peça após ver anúncios da peça teatral, de acordo com a varejista Donguri Republic.

Esse vai-e-vem entre palco e moda garante receita imediata e mantém o público ativo entre um filme e outro. No calendário interno do estúdio, a janela de dezembro para a estreia da turnê coincide com a temporada de prêmios de “The Boy and the Heron” — se Miyazaki vencer de novo, o assunto Ghibli permanecerá quente até 2025, quando a montagem deve chegar aos EUA. Ou seja: o conglomerado japonês encontrou no teatro não só uma extensão artística, mas uma ponte financeira e geracional que sustenta o catálogo clássico enquanto decide qual será, de fato, o primeiro grande projeto a nascer sem a sombra do seu criador.

Se o cinema ainda é o templo máximo da fantasia de Miyazaki, o palco mostra que a fé do público pode migrar de formato — e o Studio Ghibli, ao contrário de Chihiro, já não tem medo de atravessar o túnel para o próximo mundo.

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