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Ubisoft abandona o blockchain: queda de Champions Tactics enterra a última aposta em NFTs

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A Ubisoft avisou que desligará os servidores de Champions Tactics em 25 de outubro, encerrando o jogo e, na prática, todo o seu experimento público com NFTs iniciado em 2021. O anúncio põe fim a um ciclo que prometia revolucionar a monetização nos games AAA, mas terminou dois anos depois sem público, sem mercado secundário relevante e com milhares de tokens presos em carteiras digitais.

Mais do que um cancelamento, o fechamento explicita a mudança de rota de uma das maiores editoras do mundo: a companhia que estampava “Web3” em conferências agora evita o termo até em notas oficiais. O recuo acontece ao mesmo tempo em que concorrentes correm para modelos de assinatura, como evidenciam os 125 milhões de contas ativas na PSN, mas abandonam silenciosamente o discurso cripto.

Fim precoce sela recuo público da Ubisoft no blockchain

Quando lançou o projeto Quartz, a Ubisoft prometia escassez digital e revenda de itens – começando por Ghost Recon Breakpoint. A recepção foi tão negativa que a própria desenvolvedora removeu qualquer menção ao piloto poucos meses depois. Champions Tactics surgiu como segundo fôlego: um auto-battler estilizado, distribuído em acesso antecipado, com 9.999 campeões gerados na blockchain. O pico de usuários simultâneos nunca passou de seiscentos.

Internamente, executivos contavam com a liquidez dos NFTs para manter o jogo vivo sem campanhas de marketing pesadas. Só que o faturamento ficou abaixo do custo anual de servidor, revelam empregados ouvidos sob condição de anonimato. A matemática não fechou: cada token foi mintado por cerca de US$ 30 em taxas de rede; com a cotação deprimida do Ethereum, o valor de revenda mal cobria essas despesas.

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NFTs sobrevivem no vazio e abrem brecha jurídica inusitada

A Ubisoft explicou que os colecionáveis “permanecerão na carteira dos jogadores”, mas não terão mais serventia. Isso cria um impasse pouco discutido: por serem imutáveis, os tokens continuarão circulando em plataformas de terceiros, mas sem o ativo digital correspondente. Ou seja, os compradores passam a deter apenas um hash desconectado do jogo, cenário que analistas chamam de dead tokens.

Consultores de compliance veem aí um risco reputacional, principalmente na Europa, onde reguladores estudam classificar NFTs inoperantes como “investimento de alto risco”. A estimativa é que existam pelo menos 70 mil tokens ainda vinculados a projetos de games cancelados, de acordo com um levantamento independente.

Abandono em série liga alerta sobre hábitos da editora

Champions Tactics não é exceção: Hyperscape durou 18 meses; Roller Champions quase perdeu suporte antes de completar um ano. O padrão de projetos encerrados rapidamente pesa na percepção de comunidade e investidores, sobretudo num momento de retração, como mostra a mudança de estratégia da Epic Games Store. O receio de “entrar cedo demais” em um serviço que pode desaparecer vem se tornando o maior inibidor de adoção – com ou sem blockchain.

O encerramento ainda libera recursos para as franquias tradicionais da Ubisoft, mas deixa um rastro de dúvidas sobre a viabilidade financeira de integrações Web3 em larga escala. Para quem apostava que NFTs seriam a próxima microtransação, a conta chegou cedo – e em ether negativo.

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