A reunião de roteiro terminou sem alarde, mas uma frase de Larry Houston, produtor veterano de X-Men ‘97, virou senha interna na Marvel: “já sabemos onde a série termina”. Nos bastidores, isso significa que o revival animado tem história estruturada para até cinco temporadas no Disney+ — duas além das três encomendadas oficialmente.
O detalhe escapa ao fã casual, mas faz eco em Burbank: manter os mutantes na animação por meia década dá à Disney o tempo necessário para sincronizar o retorno live-action dos X-Men, ainda preso ao cronograma da Fase 6 que já acomoda o “Netflixverso” e a barulhenta saga de Secret Wars.
Plano quinquenal anima até o merchandising
Segundo fontes próximas à equipe criativa, Houston defendeu um arco fechado de cinco anos durante a aprovação do projeto. A Marvel cogita repetir o modelo de “história longa com ciclos anuais” que sustentou a série original de 1992, mas agora com métricas semanais de streaming: cada temporada teria 10 episódios de 30 minutos, suficientes para manter os mutantes mensalmente nos trending topics.
O reflexo mais imediato está na área de licenciamento. A divisão de produtos já trabalha com cronograma de colecionáveis que avança até 2028, algo raro para uma animação que ainda nem estreou. O impulso deve reforçar a linha retro de action figures, tática usada com Rocket em Guardiões 3 que elevou a margem de lucro dos parques temáticos.
Por que apostar tão cedo em cinco temporadas?
Nos corredores do Disney+, a leitura é pragmática: diferentemente das séries live-action, animações custam menos, atravessam greves sem paralisar e podem reter audiência infantil — terreno onde o serviço perdeu fôlego para YouTube e TikTok. Garantir roteiro fechado protege o projeto de cortes orçamentários e cria pipeline para dublagens globais, etapa que hoje atrasa estreias fora dos EUA.
Além disso, a opção libera Kevin Feige para redesenhar os mutantes no cinema sem pressa. Enquanto isso, o público se reacostuma com nomes como Ciclope e Vampira e naturaliza mudanças canônicas — inclusive a chegada de figuras alternativas, estratégia que já prepara terreno para possíveis trocas de elenco, como ocorreu com o Professor X nas especulações recentes.
O que muda se o roteiro extrapolar o plano
Houston já sinalizou que a quinta temporada fecha o “ciclo de legado” — depois disso, só avançaria se houvesse mudança drástica de direção, como um spin-off adulto ou o convite para integrar oficialmente o MCU animado. É a mesma conversa que impulsionou Tom Holland a pedir um Homem-Aranha 5 mais sombrio. No caso dos mutantes, porém, a animação funciona como teste de conceito: se a audiência comprar, parte do tom pode migrar diretamente para o live-action.
A Marvel ainda não carimbou publicamente as temporadas extras, mas o recado interno é claro: X-Men ‘97 está escalado para segurar a bandeira mutante até que a próxima leva de filmes esteja madura. E, se depender do planejamento já no papel, teremos pelo menos cinco anos para descobrir se o fan service revivalista é mesmo sólido o bastante para sustentar a franquia no novo multiverso da Disney.
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