Sem alarde, a DC Studios trancou dois finais de semana de 2028 para projetos comandados por Matt Reeves, garantia de que o diretor terá a agenda mais disputada do estúdio no fim da década. A manobra confirma o segundo longa do universo “The Batman” e, de quebra, um spin-off centrado num vilão ainda não revelado oficialmente – aposta interna é que o Clayface ganhe vez depois da recepção ao trailer recém-reeditado em versão PG-13.
Essa dobradinha não só eleva Reeves ao status de “proprietário informal” da franquia Elseworlds como pressiona James Gunn, que tenta inaugurar seu Batman canônico em “The Brave and the Bold”. Com dois morcegos disputando holofote no intervalo de poucos meses, 2028 vira laboratório de choque de estilos: o noir realista de Reeves contra o cocktail pulp de Gunn.
DC usa janela dupla para blindar ‘Batman Part III’ e testar spin-off de vilão
A data mais adiantada, em março de 2028, abriga o longamente gestado “The Batman – Part III”, conclusão da trilogia que Reeves vendeu como estudo de caráter acima de pirotecnia. Sete meses depois, em outubro, chega o longa derivado que o estúdio mantém em sigilo, mas fontes próximas ao departamento de marketing contam que o vilão escolhido já teve cenas prévias divulgadas online – o mesmo material que foi suavizado para PG-13 na última semana.
Internamente, o recuo na censura foi interpretado como teste: medir se a violência estilizada de Reeves continua atraindo o público jovem sem comprometer bilheteria global. A resposta rápida à versão pesada teria alertado executivos sobre o risco de restringir salas em mercados onde “18 anos” derruba receita. Ao podar sangue e mudar dois diálogos, a DC ganhou sinal verde de grandes exibidores na Ásia, região crítica para bater a casa de US$ 1 bilhão que “The Batman” original ficou devendo.
Entre um filme e outro, o diretor ainda lança a segunda temporada de Pinguim no streaming e supervisiona a série de Arkham, ambos ambientados na mesma Gotham. Ou seja, Reeves dominará o noticiário do estúdio por pelo menos 14 meses seguidos, algo que nenhum outro cineasta conseguiu desde o auge do MCU.
Pressão sobre Gunn reacende duelo de identidades do Cavaleiro
Enquanto Reeves empilha projetos, o DCU de James Gunn corre para não estrear seu Batman em clima de comparação direta. O roteiro de “The Brave and the Bold” ainda passa por ajustes, e há rumor de que o lançamento pode escorregar para 2029, justamente para não dividir espaço de mídia com a conclusão da trilogia noir. A estratégia colide com a intenção inicial de Gunn de integrar ao menos dois Lanternas em “Superman 2” para colar rapidamente o novo universo compartilhado.
O desconforto fica explícito na comunicação: materiais de bastidor agora tratam o Batman de Reeves como “linha prestige”, termo usado para obras de autor fora de continuidade. É a mesma etiqueta que protege a série do Besouro Azul em “Man of Tomorrow”, mas, no caso do Morcego, a separação é ilusória – pesquisa interna mostra que 62 % do público geral acredita que todos os filmes pertencem ao mesmo arco.
Para driblar a confusão, a DC avalia adotar o subtítulo “Ellipsis” nos materiais de Gunn, reforçando que se trata de outro Batman. A medida não resolve o maior impasse: dois heróis idênticos disputando licenciamento, promoções e tempo de tela nas salas IMAX num intervalo inferior a 18 meses. Com o calendário sacramentado, 2028 se converte no primeiro grande duelo de direções criativas desde que a Marvel precisou reescalar o pódio de poder após a Vespa roubar cena em “Avengers: Doomsday”.
No fim, a DC aposta que a coexistência forçada pode ampliar o alcance global do personagem – mas, se a bilheteria de um canibalizar o outro, o estúdio terá de escolher qual Batman carrega a franquia para os anos 2030. E o público, pela primeira vez, não vai precisar esperar reboot para votar com o bolso.
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