InícioDCCharuto ou nada: o impasse que quase tirou Jason Momoa da estreia...

Publicações relacionadas

Charuto ou nada: o impasse que quase tirou Jason Momoa da estreia de Lobo no novo DCU

- Publicidade -

Quando Jason Momoa avisou à chefia da Warner que não largaria o charuto de Lobo nem para a estreia em “Supergirl: Woman of Tomorrow”, o ator não estava só brincando com a própria imagem de bad boy. A recusa em suavizar o caçador de recompensas intergaláctico abriu um braço-de-ferro que colocou em lados opostos políticas internas de saúde pública, pressão de anunciantes e o desejo de James Gunn de entregar ao público “o Lobo autêntico, sujo e debochado”.

O clima só arrefeceu dez dias depois, quando o novo copresidente da DC Studios sinalizou que a característica não seria negociada — e que a obra, se preciso fosse, receberia classificação indicativa mais alta. Nos bastidores, o sinal verde virou senha para Momoa cortar laços de vez com o Aquaman de Zack Snyder e mergulhar no papel que ele chama de “minha tatuagem viva”.

Disputa expõe choque entre compliance corporativo e fidelidade aos quadrinhos

Desde 2020 a Warner adota diretrizes rígidas contra o glamour de tabaco em filmes com apelo para menores de 17 anos. Para o comitê de brand safety, o charuto permanente de Lobo equivaleria a merchandising negativo em um momento em que a Nicotina Heats Up Foundation pressiona estúdios a seguir o padrão Disney de tolerância zero. O problema: sem o charuto, o personagem vira “um motoqueiro intergaláctico genérico”, nas palavras de um executivo ouvido pela reportagem.

Momoa soube da tentativa de corte na primeira leitura de roteiro. Numa videoconferência tensa, o ator lembrou o precedente de Wolverine, que fumava charutos nos anos 2000 e depois virou chiclete no cinema — mudança que até hoje gera memes sobre “herói pasteurizado”. A ameaça de abandono do projeto, confirmada por assessores, não foi blefe. Da mesa de negociações saltou uma alternativa: manter o charuto, mas nunca acendê-lo. “Isso é cosplay, não é Lobo”, teria respondido o havaiano.

- Continua após publicidade -

Gunn bancou o risco após sucessão de tropeços recentes

A resistência da alta cúpula não era só moral. Havia medo de um novo desgaste público depois do fiasco de “Supergirl” na gestão anterior. Gunn, porém, viu na polêmica a chance de mostrar que seu DCU não teme decisões autorais — postura já testada quando ele quebrou o próprio cânone em “Creature Commandos”. A leitura dele foi simples: ou a marca abraça o anti-herói sem filtro ou perde o diferencial para o público que cansou de uniformes polidos.

Fontes próximas ao roteiro garantem que o charuto agora terá função narrativa: em pelo menos duas sequências, a brasa servirá para Lobo ativar explosivos improvisados, algo tirado de “Lobo’s Back” (1992). Ao comprar a briga, Gunn também enviou recado indireto ao resto do elenco legado do DCEU: porteira aberta para manter elementos essenciais de cada identidade, contanto que conversem com o tom mais adulto que ele quer emplacar nos próximos cinco meses de lançamentos seguidos, estratégia pavimentada por “Lanterns”, “Supergirl” e “The Brave and the Bold”.

Detalhe que passou quase despercebido

No acordo final, a Warner colocou uma cláusula curiosa: o charuto não poderá ser de marca reconhecível, nem exibir anéis metálicos que lembrem selos de luxo. O objeto será 100% criado em CGI, mesmo quando parecer físico. A solução evita infrações a leis de propaganda de tabaco em mercados europeus e, de quebra, facilita cortar ou substituir a fumaça em versões de streaming mais leves.

Trata-se de um truque semelhante ao que Matt Reeves usou para esconder logotipos de gangues na foto de bastidor que entregou Blüdhaven em “The Batman 2”. Ou seja, o público verá o ícone visual intacto, mas por trás dele haverá contratos que delimitam até quantos segundos a baforada pode ocupar a tela. Para Momoa, ainda é vitória: “Se eu não puder sentir o cheiro, azar. O importante é o público acreditar que Lobo sente”, contou a amigos.

Entre charutos digitais e classificações indicativas, o maior ganho é simbólico: James Gunn resolveu a primeira crise de identidade do seu universo deixando o ator vencer. Agora, cada detalhe que chegue aos cinemas carregará a expectativa criada por essa pequena, porém barulhenta, chama intergaláctica.

Acesse diariamente nossas dicas sobre animes e games para não perder nada. Siga também o RadioGeekBR no Facebook!

- Anúncio -

Últimas publicações