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Quarteto dourado de Dragon Ball volta completo e expõe a corrida por nostalgia nas prateleiras

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Três décadas depois de Akira Toriyama reunir Goku, Vegeta, Trunks e Gohan em um pôster de 1992, a Toei licenciou a peça que faltava para o time dourado sair do papel. A fabricante Tamashii Nations anunciou o Super Saiyajin Gohan 1/12, figura premium que fecha a formação original e, de quebra, empurra os fãs para o quiosque com preço de colecionador.

Pode parecer só mais um relançamento, mas completar um desenho histórico tem peso estratégico: a manobra ativa a memória afetiva de quem viu Dragon Ball Z na extinta TV Manchete e cria um “pacote fechado” que a franquia ainda não tinha oferecido nem em jogos, nem em box de DVD. Entre o anúncio e a madrugada seguinte, o estoque inicial para o Brasil evaporou em lojas especializadas.

Ilustração de 1992 vira PVC de luxo e dispara fila de pré-venda

A arte em questão saiu na Weekly Shonen Jump nº 52 e mostrava os quatro Saiyajins transformados, algo inédito naquele momento da série. Goku e Vegeta já ganharam dezenas de versões articuladas, Trunks foi atualizado no ano passado, mas Gohan criança permanecia fora de escala. A nova peça corrige o erro: 13 cm, cabelos em degradê translúcido e troca de expressões via faceplate magnético.

O preço oficial no Japão é de 7.700 ienes, mas no Brasil bateu R$ 549 antes do dólar subir. Mesmo assim, a distribuição antecipou 30% do lote previsto para julho, segundo lojistas. A busca reforça um padrão observado na indústria: basta sinalizar que o set ficará “completo” para disparar a urgência, fenômeno idêntico ao retorno dos copos de Kiki do Studio Ghibli.

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Completar o set rende mais que personagem inédito

Executivos da Bandai, dona da Tamashii, admitem em informes aos acionistas que coleções fechadas vendem 40% acima da média porque o consumidor teme ficar com a prateleira “incompleta”. É o mesmo gatilho usado pela Sega com a figure da Rika, de Jujutsu Kaisen, vendida como a peça que faltava na linha das maldições suprema.

No caso de Dragon Ball, a jogada se sobrepõe ao calendário do próximo anime, “Daima”, previsto só para o fim do ano. Enquanto o novo material não chega, a Toei capitaliza o passado. A lógica se repete em outras séries veteranas: a Shueisha fez barulho ao reunir, em um mesmo volume, todos os irmãos Zogratis de Black Clover, e a Kadokawa vem relançando estandes de Re:Zero que completam artes clássicas de 2014.

Nostalgia virou métrica de faturamento para 2024

O repertório de 30 anos permite a Dragon Ball ditar o tempo da própria memória pop, algo que poucas franquias conseguem. A aposta no quarteto sai na mesma janela em que a Takara-Tomy coloca a Hello Kitty em armadura mecha para atrair adultos que cresceram com Gundam. A mensagem é clara: o valor não está no “novo”, mas em dar forma definitiva ao que só existia no imaginário.

Para o fã, a conta é salgada; para o mercado, é cálculo exato. Cada vez que a prateleira ganha o rótulo “formação completa”, o relógio da nostalgia gira — e o caixa acompanha. Se você piscou, seu Super Saiyajin dourado já pode ter virado item de leilão.

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