Quando a Marvel enviou a novas empresas de efeitos visuais o cronograma atualizado de “Thunderbolts”, a lista de ambientes surpreendeu: além de cidades reais, havia um item chamado “Tiamut Dead Celestial – surface & core”. O nome remete diretamente ao colosso petrificado que emergiu no clímax de “Eternos” e desapareceu do noticiário do MCU desde então. A simples presença do cenário indica que o estúdio, após dois anos de silêncio, decidiu transformar o cadáver cósmico em palco central da Fase 7.
A escolha põe fim à impressão de que “Eternos” seria tratado como nota de rodapé depois da bilheteria morna. Mais que resgatar personagens, o retorno de Tiamut movimenta tramas políticas, corridas por metais raros e a construção do próximo grande conflito, em sintonia com o que já se especula para a Saga Mutante — tema que a própria empresa acelerou, firmando oito contratos de peso para a fase pós-Secret Wars.
Tiamut troca o status de monumento esquecido por peça geopolítica em “Thunderbolts”
O documento interno detalha duas frentes de filmagem no gigante adormecido: “surface” (superfície) e “core” (núcleo). Isso sugere que a equipe liderada por Valentina Allegra de Fontaine descerá às entranhas do Celestial atrás de algo específico — possivelmente o adamantium, notório metal que o MCU ainda não apresentou oficialmente. A pista cola com rumores de que o longa servirá de preâmbulo para a introdução de Wolverine e para a fundação de um território autônomo, ecoando histórias clássicas dos X-Men.
Ao transformar o cadáver num depósito de recurso estratégico, a Marvel mata dois coelhos: dá motivo palpável para governos e facções disputarem o local e reabilita a mitologia dos Eternos sem depender de uma sequência direta. É a mesma lógica usada em “VisionQuest”, que reposiciona Visão sem refazer “WandaVision”.
- A ambientação submarina exige VFX de grande escala, o que justifica a contratação extra de casas de pós-produção.
- Cenas no “core” demandam stagecraft, tecnologia de painéis LED usada em “The Mandalorian”, o que encarece o projeto e indica peso narrativo real.
- Licenças de imagem dos Eternos Sersi e Phastos apareceram no pacote jurídico, sinal de que, mesmo sem aparecerem fisicamente, poderão ser citados ou vistos em holotelas.
Nos bastidores, a decisão é tratada como contra-ofensiva direta à percepção de que o estúdio estaria recuando em diversidade após suspender “Blade” e “Ironheart” — crítica levantada em outra frente de cobertura recentemente. Afinal, “Eternos” é a equipe mais plural já filmada pela Marvel.
Por que os Eternos são vitais para dar coerência à fase multiversal
Desde que o NetflixVerse foi encerrado, o estúdio tem insistido que a nova era precisa nascer coesa para evitar o excesso de tramas soltas do pós-“Ultimato”. Os Eternos oferecem justamente a cola cósmica: explicam a origem dos Celestiais, conectam as joias do infinito ao processo de criação de universos e pavimentam a ponte para entidades como Tribunal Vivo e Beyonder, peças-chave de “Secret Wars”.
Além disso, Chloé Zhao deixou em aberto o julgamento de Arishem sobre a Terra. Ignorar esse gancho significaria anular a maior ameaça de escala universal já mostrada. Trazer Tiamut à tona via “Thunderbolts” resolve o impasse sem a necessidade de um “Eternos 2” imediato: basta que o conflito pelo adamantium ou pela tecnologia celeste obrigue Kingo, Thena e companhia a intervir. O movimento ainda fortalece o arco de Tom Holland, que, segundo apuração sobre o Sexteto Sinistro, ganhará aliados cósmicos quando a batalha longe da Terra começar.
Entre fãs e executivos, a leitura é semelhante: o gigante petrificado nunca foi sobra de roteiro, e sim uma bomba relógio narrativa. Agora que a Marvel enfim armou o detonador — com cronograma, efeitos e locação definidos —, resta saber qual Eternos aparecerá primeiro. A resposta pode vir já na cena pós-créditos de “Thunderbolts”, mas, se depender da movimentação de bastidores, o veredito de Arishem não vai demorar a cair sobre o MCU.

