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DC enxuga o próprio universo e cancela duas séries de James Gunn antes da estreia

Sem aviso público ou nota de rodapé, a direção da DC Studios abortou dois projetos de série que faziam parte do lote “Gods and Monsters”, anunciado por James Gunn no início de 2023. O corte, apurado com membros da equipe de roteiro, foi comunicado há poucas semanas e já impacta o cronograma de filmagens previsto para o primeiro semestre de 2025.

O movimento sinaliza uma guinada tática: reduzir o tabuleiro de apostas e concentrar recursos em Lanterns e no novo Superman, peças tratadas como salvadoras de caixa após uma sequência de bilheterias decepcionantes. Nos bastidores, a ordem é simples — menos títulos, mais barulho — num cenário pressionado pela possível fusão entre Warner e Paramount.

Cortes atingem roteiros que ainda nem tinham elenco fechado

Segundo roteiristas ouvidos pela reportagem, as duas séries engavetadas correspondiam a “Paradise Lost”, centrada nas amazonas de Themyscira, e a “Booster Gold”, comédia de viagem temporal. Ambas estavam em sala de roteiro desde agosto, mas sem elenco ou contratos de locação assinados, o que facilitou a tesourada repentina.

O enxugamento interno repete o que já ocorrera com projetos de J.J. Abrams no ano passado, mas desta vez atinge criações chanceladas pelo próprio Gunn. Um dos profissionais descreve o clima como “puxar o freio antes da descida”: os custos estimados somavam US$ 140 milhões em duas temporadas iniciais, valor hoje considerado alto demais para uma HBO Max que encolhe o orçamento de conteúdo original.

Lanterns e Superman viram eixo único de investimento

Com a debandada de títulos periféricos, a sala de guerra da DC redireciona verba, pessoal e marketing para Hal Jordan e John Stewart. O trailer solo de Hal Jordan — divulgado apenas a parceiros de licenciamento — serviu como prova de conceito e justificou prioridade total a Lanterns. Até o novo logo da série foi redesenhado para gritar “evento” em vez de “spin-off de luxo”.

No cinema, a conta fecha com Superman: Man of Tomorrow, escolhido por Gunn como o 15º elo oficial entre telona e telinha do DCU. A presença confirmada de Brainiac, vilão que já fez cameo animado na prequel de Darkseid, reforça a sensação de continuidade orgânica entre mídias e garante vilão recorrente sem inflar despesas de direitos autorais. A lógica interna é clara: todo centavo agora precisa aparecer em tela e reverberar em múltiplas janelas.

Pressão da fusão com Paramount encurta o cobertor até 2027

Executivos ligados à Warner admitem que a negociação com a Paramount funcionou como gatilho para o recuo. A projeção de sinergias e a revisão de dívida deixam menos espaço para apostas arriscadas até que o novo conglomerado ganhe forma. Reportagem anterior mostrou como a fusão com a Paramount já travava calendários; agora, virou parâmetro para escolhas de vida ou morte.

O efeito dominó alcança inclusive longas pensados para 2027, como a sequência de Superman que pode reunir mini Liga da Justiça. Se o primeiro filme não romper a curva de arrecadação, qualquer plano de expansão volta para a gaveta. Até lá, Gunn terá de mostrar que a matemática do “menos é mais” vale não só nos roteiros, mas no fluxo de caixa.

No fim das contas, o cancelamento precoce expõe a fragilidade de um universo que ainda nem estreou. A DC aposta tudo em duas vitrines para provar que aprendeu com seus próprios tropeços — antes que a tesoura corporativa decida encerrar o show de vez.

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