Sem fanfarra nem painel lotado de estrelas, a Marvel bateu o martelo para cinco novos filmes que continuarão arcos já abertos no MCU. A medida, confirmada por múltiplas fontes internas, faz parte da “Saga 3” — rótulo provisório da fase que entregará o primeiro filme dos X-Men dentro do estúdio.
O recado, embora discreto, é ruidoso: antes de qualquer choque de realidade multiversal, Kevin Feige quer o público de volta ao território familiar, onde personagens e tramas testadas funcionam como pista de pouso para a chegada dos mutantes. Na prática, o estúdio estaciona a busca por novas IPs e usa cada continuação como alavanca de confiança para investidores, exibidores e, claro, fãs cansados de experimentar.
Cinco continuações funcionam como antídoto contra a fadiga do MCU
Nos bastidores, circulam como “prioridade de sala de roteiro” as seguintes produções: Doctor Strange 3, Shang-Chi 2, Thor 5, Pantera Negra 3 e Homem-Aranha 4 (este, em colaboração com a Sony). Nenhuma delas foi anunciada oficialmente, mas equipes de pré-produção já negociam datas de filmagem para 2025.
A lógica é financeira: Doutor Estranho e Homem-Aranha somaram juntos mais de US$ 3 bilhões na bilheteria pós-pandemia — números que o estúdio não conseguiu repetir com Eternos ou The Marvels. Thor e Pantera Negra, por sua vez, garantem musculatura internacional e produtos de licenciamento. Já Shang-Chi serve como ponte direta para as artes místicas que ganharão peso na futura Avengers: Doomsday.
Detalhe que escapou aos olhares rápidos
- Quatro dos cinco roteiros devem conter cenas pós-crédito com mutantes ou menções à Escola Xavier, sinal de que o laboratório narrativo dos X-Men começou antes mesmo do elenco ser divulgado.
- A ruptura apontada pela Marvel ao abandonar a foto tradicional dos Vingadores originais — conforme apurado na foto oficial de Doomsday — será compensada justamente nessas continuações, onde heróis “solo” voltam a dividir tela.
Foco nos mutantes muda a regra — e escancara ausências estratégicas
Enquanto trabalha nas sequências, o estúdio finaliza o line-up dos X-Men, apresentado a portas fechadas na D23 e já criticado por ignorar três membros fundadores. A escolha não é mero acaso: cada continuação desta leva carrega pistas sobre quem ficará de fora.
No esboço atual, Ciclope, Tempestade e Vampira fazem participações moduladas ao calendário das franquias solo, mas Anjo, Homem de Gelo e Fera continuam retidos, justamente para não colidir com a linha de brinquedos e a série animada X-Men ’97, que segue plano próprio de merchandising. A jogada evita saturar o mercado e dá sobrevida a séries derivadas, como aquela do Doutor Destino analisada em Marvel turbina Professor X.
Nesse arranjo, Wanda Maximoff, cuja volta parecia iminente, fica ainda mais distante. A “tangente mutante” de Feiticeira Escarlate perderia impacto diante de um Professor X já fortalecido. Não à toa, como apuramos, a probabilidade de seu retorno em Doomsday caiu para quase zero, validando rumores sobre cortes de participações caras.
Ao apostar em cinco filmes de terreno seguro, a Marvel admite que precisa reencantar o público antes de propor a revolução mutante. Se funcionar, o estúdio terá recuperado fôlego financeiro e criado pistas narrativas para uma estreia dos X-Men que soe inevitável — e não apenas mais uma cartada na mesa do multiverso em expansão infinita.

