A bomba não veio de um vazamento de roteiro, mas de um camarim: David Corenswet, protagonista de Superman (2025), reclamou abertamente da decisão de encerrar o episódio-piloto de Lanterns com a morte brusca de Hal Jordan, vivido por Kyle Chandler. A queixa, relatada por membros da equipe durante regravações na Warner, soa menor que a cena, mas escancara um ponto frágil no pacote de integração que James Gunn vendeu como “capítulo único” do novo DCU.
Nos bastidores, o incômodo acendeu alertas porque rompe a regra de ouro de universos compartilhados: ninguém questiona publicamente o arco do colega, sob risco de minar a coerência que o marketing vende como irretocável. A fissura vem num momento em que a Warner tenta provar que aprendeu com a dança de cadeiras apontada em Revelação de Snyder mostra que troca de Batman era plano antigo e expõe crise crônica da DC no cinema.
Reação em cadeia trava o marketing cruzado que Gunn planejou
O plano original era usar Lanterns como vitrine imediata para turistar visitantes à Metrópolis de Corenswet. Executivos contavam com a dobradinha “anjo azul–azulão” para ilustrar, em dois heróis icônicos, a tese de que cada produção manteria tom próprio mas se reconheceria no espelho. O protesto do ator travou — ao menos por enquanto — a liberação de um featurette que mostraria Clark Kent recebendo sinal de alerta do set dos Lanternas.
Segundo fontes dentro do departamento de pós-produção, trailers internos já haviam inserido um lampejo do anel verde cruzando o céu de Smallville. Agora, qualquer menção a Hal Jordan foi retirada até que o “clima esfrie”. O timing é ruim: a licença-bomba no elenco de Supergirl já havia colocado pressão extra na comunicação do estúdio, e uma queda de braço entre protagonistas pode contaminar a narrativa de coesão.
Morte súbita de Hal muda o pódio cósmico — e mexe com egos
Não é apenas uma divergência criativa. Corenswet teme, de acordo com interlocutores, que o público veja o gesto como sinal de que “qualquer um” pode ser descartado, inclusive o novo Superman ainda antes de firmar a identidade. O ator também teria argumentado que a opção atropela décadas de mitologia: matar logo o Lanterna mais popular esvazia a simetria histórica entre Jordan e Kent.
Do lado dos showrunners de Lanterns, a resposta foi curta: “esperem até o episódio 8”, repetindo a provocação já ventilada em Lanterns mata Hal Jordan no piloto, mas showrunners prometem virada. Eles contam que o gancho — que muitos suspeitam ser reversível — foi o que convenceu Kyle Chandler a topar uma participação “de alto risco”.
Mesmo assim, o ruído confirma que o DCU ainda pisa em terreno instável. A simples crítica pública de um ator reposiciona hierarquias internas: se Hal cai, John Stewart assume a linha de frente das Tropas, enquanto Superman, isolado, perde um aliado clássico justamente quando Lanterns esconde a cartada de James Gunn: Damian Wayne e Talia aparecem antes mesmo do novo Batman. Para quem acompanha os bastidores da Warner, a disputa não é só de tela; é por quem terá a honra de ditar o tom dessa fase inaugural.
A curto prazo, a Warner tenta virar a página com uma regra informal: qualquer comentário sobre linhas narrativas alheias agora deve passar antes pelo gabinete de Gunn. Se a lição colar, a rachadura vira anedota. Caso contrário, o novo DCU corre o risco de repetir, em streaming e cinemas, o eco interminável de desencontros que enterrou a era Snyder.

