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Planeta senciente criado por James Gunn ameaça engolir o DCU e muda o jogo cósmico da franquia

O roteiro preliminar de “Lanterns”, obtido por executivos da Warner na última semana, revela o elemento mais ambicioso – e potencialmente destrutivo – de toda a fase 1 do DCU: um planeta senciente batizado de Thanagar Prime, capaz de “cultivar” corpos humanos como sondas e alterar a própria órbita para caçar sistemas ricos em energia. Na prática, James Gunn criou sua versão de Ego, da Marvel, mas adicionou um instinto predatório que transforma o mundo vivo em um caçador cósmico, não em mero ególatra estelar.

A novidade não é um detalhe de lore. O planeta surge conectado à epidemia misteriosa citada no hospital vazio em Lanterns e já desponta como o gatilho que obrigará personagens díspares — de Guy Gardner a Supergirl — a cruzarem narrativas muito antes do previsto, num efeito dominó que altera o cronograma interno dos filmes.

Planeta-história: Thanagar Prime nasce para agir, não para ficar parado no espaço

Ao contrário de Ego, cuja ameaça dependia de Kurt Russell aparecer em forma humana, Thanagar Prime não precisa se materializar: ele planta fragmentos de sua biologia em meteoros que aterrissam discretamente, “germinam” órgãos e já começam a controlar fauna e tecnologia locais. Foi assim que a força-tarefa de Hal Jordan descobre, no episódio 2 de “Lanterns”, que a quarentena em Rushville nada tinha de acidente.

A escolha do nome carrega uma pista que quase passou batida: nos quadrinhos, Thanagar é o lar dos Gaviões. Gunn, porém, deslocou o conceito para o espaço profundo, abrindo margem para introduzir os heróis alados como refugiados de um mundo que, ironicamente, devorou a própria civilização. A inversão dá substância dramática e, de quebra, prepara um arco de horror corporal — algo já ensaiado no pôster de “Clayface”.

A ameaça costura Lanterns, “Man of Tomorrow” e o vácuo entre os Batmen

Dentro do roteiro circulado, Gunn coloca Guy Gardner — em busca de redenção depois do que veremos em “Man of Tomorrow” — como o primeiro a topar com os esporos de Thanagar Prime. O deslize do herói aciona Clark Kent e empurra a crise para Metrópolis, cidade que deveria permanecer “intocada” até o ato final do longa.

Enquanto isso, a ausência provisória de Bruce Wayne no cinema (o hiato até “Batman: Knightfall – Parte 2” detalhado na janela de 2026) ganha explicação in-universe: Gotham está blindada por causa de um pacto antigo com a Tropa dos Lanternas para manter o planeta predador longe do núcleo urbano. A costura editorial resolve o vácuo de cronograma e, ao mesmo tempo, cria um “pecado original” que pode azedar a relação entre Batman e Superman já na fase dois.

Por que Gunn mira um conceito que a Marvel já usou — e vai além

James Gunn conhece Ego melhor do que ninguém: escreveu e dirigiu “Guardiões da Galáxia Vol. 2”. Ao reaproveitar a ideia, ele coloca um espelho diante da própria carreira e desafia o espectador a notar as diferenças. Ego era uma entidade narcisista que queria replicar a si mesmo; Thanagar Prime é uma estrutura viva que prioriza sobrevivência biológica, algo mais próximo de um vírus planetário. A escala de destruição não reside no charme de um antagonista, mas na impossibilidade de negociar com um organismo cujo instinto é consumir e migrar.

Nos bastidores, executivos veem a jogada como antídoto contra comparações fáceis com Thanos: o vilão do DCU será literalmente maior que qualquer ser individual. E, para Gunn, o paradoxo é perfeito: criar algo do tamanho de um planeta para devolver às histórias o senso de fragilidade humana que se perdeu após anos de piadas meta-textuais — problema que ele próprio ajudou a popularizar.

Ainda não há cronograma oficial para a aparição física de Thanagar Prime nos cinemas, mas a ordem de produção indica que sinais do planeta serão plantados em “Creature Commandos” e no episódio piloto de “Supergirl”, interpretada por Milly Alcock. Se a criatura-cosmos cumprir o que promete no papel, o DCU terá encontrado um ponto de convergência orgânico — e mortal — que a Marvel só conseguiu esboçar. O universo Gunn, literalmente, pode engolir o espectador.

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