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Evangelion cruza com Godzilla em kit mutante e acirra a guerra dos colecionáveis premium

A Bandai não esperou nenhuma data redonda para soltar a bomba: um novo model kit junta o EVA-01 ao Godzilla em um “despertar monstruoso” que faz o robô ganhar escamas, cauda radioativa e um rugido só ouvido em Kaijus. É o terceiro encontro oficial das duas franquias, mas o primeiro em que a fusão ocupa cada centímetro do design, sem parecer apenas um cosplay de titã por cima do mecha.

O movimento vai além do choque visual. Ao lançar o híbrido sob a grife de luxo “Ampliassemble”, a Bandai eleva o ticket médio para quase o dobro dos kits Real Grade e coloca Evangelion e Godzilla no mesmo ringue disputado por peças premium como o Luffy exclusivo da NYCC. A manobra pinta um horizonte em que nostalgia, escassez e preço alto viram a santa trindade do licenciamento japonês.

Bandai estreia linha “Ampliassemble” como vitrine de luxo

O kit chega em janeiro de 2025, em tiragem limitada a 12 000 unidades globais. Cada caixa vem com peças em duas paletas: roxo e verde clássico de Evangelion, mais preto carbonizado com detalhes carmesim herdados de “Shin Godzilla”. O valor sugerido no Japão é 18 700 ienes — pouco mais de R$ 650 antes de impostos e frete, quase o triplo do HG mais recente de Gundam.

Segundo distribuidores asiáticos, a Bandai dividirá o estoque em “janelas-surpresa” mensais para criar sensação de corrida. É a mesma lógica aplicada às pelúcias gigantes de Luna, de Sailor Moon, que evaporaram em 48 horas. A diferença agora é o selo Ampliassemble, pensado para reunir kits que exigem pintura mínima, articulações reforçadas e, principalmente, licenças duplas capazes de multiplicar públicos.

Fusão arrisca, mas soma comunidades que raramente se cruzam

Evangelion sempre teve pé nos colecionáveis, mas o fandom da série é majoritariamente centrado em robôs esguios e dramas existenciais; já os kaiju collectors miram texturas reptilianas e destruição urbana. Ao costurar ambas as estéticas, a Bandai caça simultaneamente dois bolsos dispostos a pagar mais por “algo nunca visto”.

O timing também favorece. Godzilla completa 70 anos em 2024, enquanto Evangelion atravessa a ressaca do filme “3.0+1.0” com projetos dormindo no papel. O crossover dribla a falta de novidades canônicas e mantém as marcas quentes em meio à enxurrada de relançamentos de One Piece e Dragon Ball — pauta que a Toei vem blindando, como mostrou o artigo sobre o retorno do Super Saiyajin 3.

Um rastro de sangue púrpura aponta para o próximo monstro

Entre as fotos de divulgação, fãs notaram veias vinhosas sob o peito do EVA-Godzilla. O detalhe repete o padrão usado pela Toho para sugerir evolução em “Godzilla: Minus One”. Coincidência? Dentro da Bandai, funcionários ventilam a ideia de um segundo kit, desta vez fundindo Godzilla com a Unidade 02 de Asuka — o vermelho da piloto combinaria com o recém-licenciado Minus One.

Se isso se confirmar, o mercado verá a primeira linha contínua de crossovers kaiju-mecha desde os anos 90. E, com a tiragem controlada, cada lançamento tende a valorizar o anterior, alimentando o ciclo especulativo que transformou estátuas de 30 cm em ativos de investimento. No fim, o verdadeiro monstro não é de borracha nem de metal: é a nova economia da nostalgia, capaz de engolir carteiras inteiras em nome de uma fusão improvável.

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