James Gunn não esperou a tinta da fusão entre Skydance e Warner Bros. Discovery secar: na mesma semana em que o negócio ganhou sinal verde, o chefe da DC Studios blindou uma lista de 10 filmes que passam a ter tratamento de “projeto fechado”. É a primeira vez que o diretor-roteirista, conhecido por mexer na ordem da fila a cada nova reunião, coloca um cadeado público em sua própria programação.
O movimento dispara alerta em Burbank e Wall Street. Ele indica que, diferente do antigo DCEU que mudava de rota a cada tropeço de bilheteria, o novo DCU pretende convencer investidores de que existe um combo coerente já custeado — e, sobretudo, protegido de cortes repentinos. A urgência por previsibilidade financeira foi o ponto que David Zaslav, CEO da Warner, listou como condição para liberar a co-participação da Skydance nos orçamentos de super-herói.
Quais são os 10 intocáveis e por que cada um entrou no cofre
Segundo interlocutores próximos ao estúdio, os títulos trancados abrangem 80% do orçamento previsto para o Capítulo 1, “Deuses & Monstros”. Entram nessa conta os já anunciados “Superman: House of El”, “The Authority”, “Supergirl: Woman of Tomorrow”, “Swamp Thing” e “Batman: The Brave and the Bold”. Três projetos ganharam reforço inesperado: “Lanterns”, agora com o planeta-Lanterna Mogo confirmado, “Teen Titans” — que havia sido apenas soprada numa convenção interna — e o filme solo de Clayface, promovido a peça-chave para testar o selo Elseworlds.
Fecham a lista “Lobo”, que Gunn quer rodar antes da greve dos atores terminar de inflar custos, e o reboot de “The Flash”. Este último já tem três vilões escalados, como apuramos em reportagem anterior, sinalizando que o velocista terá o mesmo peso estrutural que o Homem-Aranha exerce no MCU. A escolha dos 10 protege um leque de tons — do terror corporal prometido em Clayface ao épico espacial de Lanterns — e fornece variedade para a Skydance buscar licenças internacionais de forma modular.
O que fica de fora e o recado implícito aos criadores
A blindagem vem acompanhada de um recuo perceptível. Quatro produções anunciadas em 2023 — entre elas “Booster Gold” e “Waller” — foram engavetadas, como mostramos em análise recente. Na prática, Gunn admite que séries derivadas minam foco e capital quando o universo principal ainda luta por identidade. Com os 10 filmes na frente, showrunners passam a disputar datas no calendário de 2029 em diante.
O recado é claro: quem quiser trabalhar no DCU precisa trazer argumento que se ajuste a uma fase subsequente, sem pedir orçamento já comprometido. Executivos relatam que o departamento de animação, antes visto como quadradinho paralelo, deve servir de laboratório para conceitos baratos que possam migrar ao live-action se passarem no teste de streaming. É um reflexo direto da meta de rentabilidade costurada com a Skydance, famosa por exigir retorno projetado antes de assinar cheque.
Por que isso muda até o tom do próximo Superman
A priorização faz efeito cascata no filme mais aguardado da lista. “Superman: House of El” — rebatizado depois de quatro versões de título, como detalhamos em reportagem exclusiva — ganhou margem extra no orçamento justamente porque Gunn pôde provar que o custo será diluído no pacote de 10 longas. Internamente, o estúdio avalia elevar o nível de ameaça a um vilão maior que Lex Luthor já na estreia, decisão amparada pelo comentário recente do ator cotado para Brainiac, que confirmou tom mais sombrio em entrevista reproduzida aqui.
Se a conta fechar, a Skydance entra com parte do marketing global, enquanto a Warner retém distribuição doméstica. Para o espectador, a mudança aparece de forma sutil: a promessa de lançamentos anuais do DCU pode até diminuir, mas cada filme carregará mais peso de continuidade — e, se depender desse novo cofre de 10 chaves, menos risco de virar peça solta como aconteceu no passado recente.

