A última cena de Lanterns – quando a câmera mergulha no vazio espacial e encontra Hal Jordan acorrentado a uma bateria amarela – não era um delírio coletivo, nem um easter egg solto. O showrunner Chris Mundy confirmou ao portal parceiro da HBO que aquela imagem é canônica e revela a primeira queda oficial de um Lanterna para o espectro do medo no novo universo de James Gunn.
Ao destravar o segredo, Mundy faz mais do que explicar um gancho: ele altera o tabuleiro inteiro do DCU. Se Jordan já está “contaminado” pelo poder amarelo, o filme que Gunn planeja para 2027 terá de lidar com um herói moralmente rachado – algo que o estúdio ainda não ousou exibir em tela grande. E há um detalhe que passou despercebido pela maioria: o prisioneiro foi capturado por um Guardião exilado, não por Sinestro, reposicionando o centro da corrupção dentro da própria Tropa.
Showrunner desfaz dúvida crucial do episódio 8
Por semanas, fóruns especulavam se a sequência da cela era uma alucinação gerada pelo anel de John Stewart, possivelmente afetado pela radiação esotérica do Lantern Lost. Mundy corta o debate: “Tudo ocorreu em tempo real; John apenas não tinha como processar”. A fala confirma três pontos-chave:
- Hal Jordan estava em missão solo, longe da patrulha conjunta vista nos seis primeiros episódios;
- O tom de luz amarela denuncia que a Bateria de Sinestro foi construída, mas ainda não em Qward – sinal de interferência terrestre;
- O Guardião rebelde que lidera o cárcere é Krona, figura citada de raspão no episódio 3 como “o cientista que desafiou as primeiras leis do cosmo”.
Na prática, a série planta um vilão filosófico: um criador de ordens que decidiu testar o próprio limite da Tropa. Isso ajuda a explicar por que a produção optou por um suspense quase policial em vez de ação cósmica pura; o inimigo já estava dentro da corporação. Essa leitura retroalinha até mesmo o filme de Clayface que prepara a entrada de Hal Jordan, mostrando que o arco de queda foi pensado anos antes.
Final abre corredor narrativo para o filme dos Lanternas
Com Jordan à beira do medo absoluto, o longa anunciado por Gunn ganha uma missão dupla: resgatar o herói e justificar a permanência de John Stewart como Lanterna principal da Terra. Nos bastidores, fontes próximas à DC Studios apontam que o roteiro em desenvolvimento parte justamente desse impasse – se Hal pode falhar, qualquer soldado da Tropa também. O argumento dialoga com o desejo da Warner de testar histórias mais sombrias, movimento já observado quando o estúdio decidiu blindar o Batman do terror adulto de Clayface.
A captura de Jordan também dribla uma dor de cabeça jurídica: manter Ryan Reynolds longe de qualquer menção às lanternas verdes. Ao estabelecer que o personagem já vive um destino inédito, a série evita comparações com o filme de 2011 e abre espaço para um novo ator, possivelmente escalado em segredo. O showrunner indica que “o contrato já foi assinado”, mas não revela nome.
Como o gancho se conecta às outras séries do DCU
No radar de Gunn, Booster Gold surge como trampolim cômico para equilibrar o peso existencial de Lanterns. A ideia é apresentar um viajante do tempo que conhece lendas sobre a Queda de Hal, fornecendo contexto ao público que não assistiu à série. Por outro lado, a ausência do Batman nesse momento – estratégia já utilizada por Gunn em Clayface – impede que o Cavaleiro das Trevas roube a cena e mantém o foco na Tropa.
Gunn ganha carta na manga para costurar o DCU
O reconhecimento oficial do twist faz de Lanterns o primeiro produto da nova fase que afeta diretamente o status de um dos seis pilares clássicos da Liga da Justiça. Até mesmo Blue Beetle, ainda em limbo canônico, não teve tamanho impacto. E isso explica o silêncio de Gunn após o final: ao não comentar nada, o chefe do DC Studios deixou os fãs digerirem a ideia de que heróis podem falhar feio – ponto essencial para o reboot que ele promete desde janeiro de 2023.
No curto prazo, a revelação empurra a sala de roteiristas a construir conflitos menos preto-no-branco. No longo, destrava um vilão existencial que justifica adaptações de sagas como Noite Mais Densa sem acelerar a cronologia. A Tropa dos Lanternas, antes vista como polícia intergaláctica impecável, agora carrega rachaduras internas capazes de contaminar qualquer canto do cosmos – inclusive Gotham, se for do interesse de Gunn. O futuro do DCU, de repente, ficou mais iluminado e mais assustador na mesma proporção.

