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Adidas escala Rayquaza e leva a batalha dos sneakers para o 30º aniversário de Pokémon

Um dragão verde-esmeralda vai invadir as vitrines de tênis ainda neste semestre. A Adidas escolheu Rayquaza, o lendário que domina os céus da franquia, para estampar o modelo que celebra os 30 anos de Pokémon – e, nos bastidores, para medir forças com a leva de colaborações que vem drenando carteiras de fãs de anime e colecionadores de streetwear.

Mais do que um produto comemorativo, o lançamento expõe a escalada de licenças premium na moda esportiva. A marca alemã se mexe para não ficar para trás num calendário lotado de itens nostálgicos, de Sailor Moon a baldes de pipoca da Hello Kitty, e faz de Rayquaza a sua carta mais alta contra Nike, Puma e a própria The Pokémon Company, que já flertou com outras grifes.

Adidas usa Rayquaza para disputar o coração (e o bolso) dos sneakerheads

O par, batizado provisoriamente de “Legendary Rayquaza ZX”, traz cabedal de couro verde com detalhes amarelos em TPU que lembram os anéis do dragão, palmilhas personalizadas com arte holográfica e, no calcanhar, o logotipo da 30th Anniversary com a silhueta do Pokémon riscando o número zero. Segundo executivos envolvidos na cadeia de varejo, a tiragem chega a 12 mil pares globais, com numeração estendida do 35 ao 46 – indício de que a marca espera agradar tanto público feminino quanto colecionadores tradicionais.

O lançamento está agendado para a segunda quinzena de novembro, mesma janela em que começam as pré-vendas de “Pokémon Legends: Z-A”. É um tiro calculado: parte do tráfego que busca o jogo deve esbarrar no tênis e vice-versa. A Adidas, ainda que sem confirmar valor oficial, trabalha com faixa de 999 a 1.199 reais no Brasil, posicionando o modelo no patamar de collabs com Star Wars e Marvel, mas abaixo dos ultra-exclusivos Yeezy e Prada.

Por que a The Pokémon Company liberta outro lendário agora

A escolha de Rayquaza não é aleatória. O dragão de “Pokémon Emerald” completa 20 anos em 2024 e ganhou novo poder midiático após aparecer na temporada final de “Horizons”. Com o trio Groudon, Kyogre e Rayquaza brilhando em eventos de “Pokémon GO” até setembro, a empresa reforça um nome que atravessa gerações, preparando o terreno para o aniversário redondo da marca em fevereiro de 2026.

Efeito transmídia: de card a passarela

O tênis chega ao mercado no mesmo trimestre em que a expansão “Celestial Roar” do TCG promete carta ilustrada por artista convidado da Adidas Originals, cruzando segmentos que raramente dialogam. A estratégia repete o “efeito gangorra” visto no ranking de verão que derrubou Mushoku Tensei: usar um produto físico para reacender conversa sobre o conteúdo digital.

Dentro da própria The Pokémon Company, a parceria serve de laboratório. Se a edição Rayquaza esgotar no ritmo previsto de 72 horas, executivos estudam abrir uma segunda leva em 2025, focada em Lugia, com tiragem direcionada a mercados emergentes como Brasil e México – algo inédito para collabs de alto ticket. É a mesma lógica que transformou a despedida do Gundam gigante em kit da Bandai (e em briga por espaço na estante) e que a Adidas quer levar aos pés dos fãs.

No fim das contas, o tênis é só a ponta visível do iceberg. Ele marca a convergência de três forças: o aniversário que obriga Pokémon a surpreender, a corrida das marcas por ícones nostálgicos dos anos 1990 e a urgência da Adidas em recuperar terreno no universo geek depois de ver a Nike engolir fatias de mercado com Dunk Low de “One Piece”. Se Rayquaza conseguirá segurar esse céu carregado, saberemos assim que o primeiro drop pousar na loja online.

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