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Bandai tira Naruto da vitrine e lança novo TCG nos EUA para brigar com Pokémon e Disney

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Dois caminhões estacionados na porta da Anime Expo, em Los Angeles, vão entregar o que os fãs de Naruto pedem há mais de uma década: caixas lacradas do novo trading card game oficial da série. A Bandai confirmou que o baralho de ninjas desembarca nos EUA no segundo semestre, com boosters, decks de entrada e cartas promocionais produzidas só para o mercado ocidental.

O movimento chega quando o setor de TCGs vive corrida de ouro inédita desde a febre de Pokémon nos anos 2000. Com Disney Lorcana esgotando prateleiras e o TCG de One Piece virando referência de lançamento relâmpago, a fabricante japonesa encontrou uma brecha: zero produtos de Naruto nas lojas americanas desde 2013. A aposta é transformar nostalgia em receita num segmento que, segundo analistas de varejo, já gira US$ 2,1 bilhões ao ano só nos EUA.

Bandai usa hiato de 11 anos como trunfo comercial

Quando o antigo Naruto CCG foi descontinuado em 2013, a comunidade local se fragmentou em torneios de garagem e fan sets piratas. A Bandai observou esse vácuo enquanto testava, em casa, um sistema de jogo inédito que mistura rolagem de chakra em tempo real e arte full-bleed — recurso que virou assinatura do TCG de One Piece. A adaptação ocidental vem com revisão de terminologia para facilitar onboarding de jogadores que migraram de Magic e Pokémon nos anos recentes.

Para lojistas, o timing não poderia ser mais confortável: o primeiro ciclo de pré-releases coincidirá com a temporada de volta às aulas, quando o fluxo em comic shops sobe até 25%. O kit de demonstração virá com carta holográfica de Sasuke exclusiva para eventos oficiais, e cada loja que registrar campeonato local recebe tapete de jogo temático com arte de Masashi Kishimoto.

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Lançamento reproduz receita que deu certo com One Piece

Em 2022, a Bandai surpreendeu a concorrência ao limitar lotes iniciais do card game de One Piece, criando escassez calculada e valorizando rarezas. A estratégia duplicou o preço de mercado de boosters em sites de leilão dentro de três meses, fenômeno que forçou reimpressões adicionais. A empresa sinaliza tática semelhante para Naruto: tiragem controlada, distribuição escalonada em attacks regionais e, depois, expansão internacional.

A compatibilidade cruzada de sleeves, box toppers e fichas pretende atrair jogadores que já colecionam outros títulos da casa, como Digimon. “Queremos que o fã abra a mochila e use os mesmos acessórios em todos os sistemas”, explicou um gerente da Bandai América em apresentação fechada. O portfólio unificado cria ecossistema de consumo contínuo — lógica parecida com a defendida pela LEGO ao suspender licenças esporádicas e priorizar marcas perenes.

Risco calculado: Naruto ancora ofensiva na guerra dos cards

Poucos meses após o anúncio de Lorcana, insiders previram saturação. Mas números recentes mostram o oposto: a base de jogadores de TCG nos EUA cresceu 13% em 2023, impulsionada por streaming de partidas e leilões online. A Bandai quer surfar nessa maré antes que a curva de hype estabilize — e conta com um diferencial: Naruto fala ao mesmo tempo com o público millennial que colecionava o CCG original e com a Gen Z que maratona o anime na Netflix.

O desafio será equilibrar oferta e demanda sem repetir o caos de 2020, quando lojas viram brigas por caixas de Pokémon. Caso a fórmula funcione, a Bandai deve cravar outro pino num tabuleiro que já inclui Wizards, Disney e até empresas de calçados — como a Converse, que lançou tênis Dragon Ball Z para surfar no mesmo fandom. Em pleno renascimento do colecionismo físico, os ninjas de bolso podem ser a carta que faltava para a empresa consolidar um império transmídia que vai do Gunpla monocromático ao ringue bilionário dos TCGs.

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