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Bandai ressuscita o Shin Musha 19 anos depois e muda o jogo dos kits Gundam

Demorou quase duas décadas, mas o samurai espacial mais cultuado da franquia Mobile Suit Gundam volta a empunhar a katana—e não em anime, e sim na prateleira dos colecionadores. A Bandai revelou nesta semana um kit totalmente novo do Shin Musha Gundam, design que nasceu em jogo de PS3 em 2005 e nunca mais ganhou moldes principais.

O relançamento chega num momento em que a marca sofre para manter o ritmo de hype após o fim de The Witch From Mercury. Ao desenterrar um ícone saudosista, a Bandai busca reaquecer o bolso do fã veterano e, ao mesmo tempo, testar um refinamento de engenharia que deve ditar a próxima safra de Gunpla premium.

Shin Musha volta reesculpido e vira vitrine da “engenharia 2.5”

Embora carismático, o Musha original era um pesadelo de mobilidade: placas samurais pesavam nos ombros, e o esqueleto interno herdava limitações da linha MG da época. O kit 2024 nasce sobre um frame híbrido—parte do RG Nu Gundam, parte peça inédita—e exibe truques que só apareceriam cinco anos depois, como a articulação dupla de tornozelo.

Outro salto está no color separation. O vermelho ancestral, antes aplicado em adesivo, agora sai do molde já dividido em três tons, eliminando a necessidade de pintura para 90 % dos detalhes. Isso posiciona o Shin Musha como laboratório vivo da chamada “engenharia 2.5”, conceito que a Bandai vem testando desde o redesign do Unit-01 em Evangelion para cruzar praticidade de HG com nível de peça de MG sem inflar o preço final.

Nostalgia não é acaso: Bandai tenta conter a fadiga pós-Witch

A volta do samurai também funciona como antídoto para a estafa de lançamentos baseados na era Mercury. Entre janeiro de 2023 e abril de 2024, mais de 40 % dos novos Gunpla vinham da mesma timeline, segundo levantamento interno da própria fabricante. Vendas começaram a patinar e, em fóruns como Reddit e 2chan, cresceram queixas de “monocultura”.

Resgatar um mecha de videogame, portanto, quebra o ciclo e sinaliza aos varejistas que há vida além das séries de TV recentes. O timing conversa com movimentos parecidos da indústria: a Atlus repôs a tetralogia animada de Persona 3 e a Nintendo tirou do cofre collabs de Pokémon, todos mirando fãs que pagam por memória afetiva bem embalada.

Detalhes que só o colecionador atento percebe

Por trás da armadura cromada, dois microajustes mostram o quanto a Bandai estudou o fandom. Primeiro, o encaixe inédito para Soul Chip—pecinhas LEDs vendidas à parte—já vem pré-cabeado, algo inédito num kit que não é linha Premium Bandai. Segundo, o manual traz diagramas de poses extraídos do game original de PS3, fechamento elegante de um ciclo de 19 anos.

Se a aposta vingar, abre-se a cancela para outras lendas esquecidas, como o Exia Avalanche Dash da era Xbox 360 ou o Wing Proto Zero das antigas revistas Hobby Japan. Resta saber se o colecionador vai gostar do preço: estimado em 7.700 ienes no Japão, cerca de R$ 260 sem impostos. Mas, para quem esperou quase duas décadas, o boleto talvez seja o menor dos problemas.

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