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Sem novos filmes, Disney+ recorre à trilogia de Sam Raimi para tapar o buraco do MCU

Na próxima sexta-feira (19), Disney+ libera de uma só vez Spider-Man (2002), Spider-Man 2 (2004) e Spider-Man 3 (2007). É a sexta trilogia completa da Marvel no serviço – e a primeira que não carrega o selo Marvel Studios. Em meio a cortes e adiamentos internos, o acordo silencioso com a Sony virou a cartada mais rápida para segurar assinantes famintos por super-heróis.

O movimento não é apenas nostalgia de catálogo. Ele expõe um vácuo de conteúdo: após cancelar um quinto longa do MCU sob regime de contenção, a Disney precisou correr atrás de licenças externas para preencher o calendário até Avengers: Doomsday. A chegada do Aranha de Tobey Maguire cola band-aid em três frentes: traz relevância num momento de seca, reaquece discussões sobre multiverso e inaugura um teste de interesse para personagens que ainda nem existem dentro do MCU.

Resgate estratégico: por que o Aranha clássico vira munição de emergência

Até aqui, o serviço já exibia cinco trilogias próprias do universo Marvel – Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Guardiões da Galáxia e Homem-Formiga. Todas produzidas internamente. Quando a Disney travou novos investimentos, inclusive o longa que funcionaria como ponte entre a Saga do Multiverso e a estreia de Doutor Destino, a prateleira ficou rasa. O vazamento de audiência comprovou: em abril, a procura por filmes de heróis no Disney+ caiu 17 % em mercados-chave como Brasil, EUA e Reino Unido, segundo dados de uma consultoria parceira de estúdios.

Licenciar a trilogia de Raimi resolve três dores imediatas. Primeiro, oferece quase sete horas de conteúdo inédito para a plataforma sem custo de produção. Segundo, atrai o público que ainda associa super-heróis ao tom menos cômico do início dos anos 2000, nicho que a Marvel atual vem perdendo depois de fracassos de bilheteria como Quantumania. Terceiro, a jogada pavimenta o terreno para o marketing cruzado: cada play nos filmes de Maguire carrega botões que direcionam o usuário a outros títulos do Aranhaverso, inclusive a animação Beyond the Spider-Verse, já pré-favoritada por mais de 1,2 milhão de contas brasileiras.

Licença com a Sony abre corredor para Miles, variantes e futuras colaborações

Nos bastidores, executivos da Disney classificam o acerto com a Sony como “janela de seis meses, com opção de prorrogar”. O detalhe que passa despercebido: o contrato também autoriza a inclusão de materiais de bastidores inéditos, como o teste de elenco de Jake Gyllenhaal para um eventual “Homem-Aranha 4” que nunca saiu do papel. Essa cláusula joga luz sobre a estratégia de Kevin Feige, que recentemente admitiu a rota do MCU para Miles Morales via pistas de Electro. Ao exibir material vintage, o estúdio mede a popularidade de personagens que poderiam migrar para o live-action principal.

A convergência ainda serve de antídoto para o isolamento criativo da Marvel Studios, criticado após transformar Pedro Pascal no novo rosto dos Vingadores em projeto que tenta salvar a fase 5 (entenda aqui). Com o multiverso oficialmente escancarado desde No Way Home, nada impede variantes de Maguire ou Andrew Garfield de aparecerem em futuras séries. O contrato atual não garante participações, mas facilita negociações: personagens licenciados que já estiverem no streaming da Disney tendem a ter presença renegociada com mais rapidez, aponta um advogado próximo à Motion Picture Association.

O que vem depois: calendário enxuto e catálogo turbinado

  • 20/05 – inclusão de Venom e Venom: Tempo de Carnificina, ampliando o microselo Sony/Marvel dentro do Disney+.
  • Junho – estreia mundial de um especial sobre a trajetória do Aranha, com entrevistas inéditas de Maguire e Kirsten Dunst.
  • 2º semestre – janela renegociada para a chegada de O Espetacular Homem-Aranha 1 e 2.

Enquanto a nova leva de filmes do MCU segue sem data, o espectador brasileiro ganha um lembrete: a Marvel pode até viver uma crise de sucessão em Wakanda ou prometer o filme mais longo da história, mas, quando falta munição nova, é o herói que inaugurou a era de bilheterias bilionárias quem ainda salva o dia – agora, também, o fluxo de assinaturas.

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