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Ex-princesa da Disney vira Lanterna Verde e expõe pressa de James Gunn no novo DCU

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Auli’i Cravalho, a voz que eternizou Moana para a Disney, agora vai trocar o Pacífico pelo setor espacial 2814: a atriz foi confirmada como Jessica Cruz, protagonista da série Lanterns, uma das apostas centrais do novo Universo DC comandado por James Gunn. A escolha faz da havaiana de 23 anos a primeira Lanterna Verde latina em live-action, reposicionando logo de saída a marca que nos quadrinhos ainda tropeça na própria cronologia.

A decisão chega dias depois de o estúdio bater o martelo sobre o primeiro Coringa do DCU – movimento que já comentamos em “Primeiro Coringa do novo DCU expõe a pressa de James Gunn”. Juntas, as nomeações revelam não só a velocidade com que Gunn pretende exibir as peças-chave do tabuleiro, mas também um padrão: pescar talentos que a Disney preparou e usar esse recall imediato para empurrar público a uma realidade totalmente nova.

Do canto polinésio ao juramento espacial

Auli’i não chega crua ao uniforme esmeralda. Além de dublar uma princesa que faturou US$ 680 milhões, ela passou pelo drama adolescente All Together Now e pelo musical televisivo Rise, ambos exigindo canto, presença de palco e carga dramática — trio de habilidades que a própria Warner descreveu como “essencial” para a jornada psicológica de Jessica Cruz, sobrevivente de violência que encara crises de ansiedade tão ferozes quanto qualquer vilão cósmico.

Na prática, Gunn acerta dois alvos com um disparo: garante um rosto globalmente reconhecível sem pagar preço de super-estrela e entrega, logo na largada, a representação que faltava à Liga da Justiça em carne e osso. O timing é calculado: Lanterns está previsto para iniciar rodagem no primeiro semestre de 2025, justamente quando a janela de animação da continuação de Moana a manterá em alta nas redes sociais. Sinergia orgânica que o marketing agradece.

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A engrenagem de ex-Disney que sustenta o plano Gunn-Safran

Cravalho não é caso isolado. O DCU já abriga Rachel Zegler (a futura Branca de Neve) em Shazam: Fúria dos Deuses e emprestou Zachary Levi, ex-Flynn Rider de Enrolados, ao mesmo herói. Agora, com a atriz havaiana e o recém-escalado Coringa de Matthew Needham, a dupla Gunn-Safran deixa claro que prefere artistas que o público reconhece pelo primeiro nome, mas que ainda não custam um terço de Robert Downey Jr.

O detalhe quase invisível nessa equação é a distribuição de risco. Ao concentrar antigos talentos da Disney em papéis inéditos, Gunn reduz a dependência de bilheterias monolíticas por filme: se Superman: Legacy patinar, há Lanterns, Paradise Lost e os derivados de Superman já anunciados. O público navega pelo rosto familiar de Auli’i enquanto se ambienta a uma cronologia que promete durar uma década — e a contabilidade de investidores respira ao diluir o peso dos “grandes eventos” em uma série de microfranquias interligadas.

Como essa escolha aperta o cerco sobre Supergirl

O próximo grande anúncio do estúdio deve ser a nova Supergirl. Ao escalar primeiro uma Lanterna Verde latina, Gunn eleva a régua de representatividade e coloca pressão extra sobre o casting da kryptoniana: qualquer nome branco ou já saturado tende a soar como retrocesso. Nos corredores da Warner, a conversa é que o roteiro de Supergirl: Woman of Tomorrow exige “energia jovem e indomada” — adjetivos que descreviam, até ontem, a própria Auli’i Cravalho.

Enquanto a escolhida de Moana repete o juramento dos Lanternas (“No dia mais claro, na noite mais densa…”), a mensagem interna é outra: no novo DCU não há tempo para construir reputação passo a passo. James Gunn quer chegar em 2025 com vilões, mentores e heróis já na vitrine — e, se a Disney formou esse elenco por ele, melhor ainda.

A cartada, portanto, vai além de um simples anúncio de elenco. Ela define ritmo, tom e prioridades de uma franquia que sangrou com o fiasco de Aquaman 2 e que agora corre para provar, a cada casting, que realmente virou a página. O anel de poder nas mãos de Auli’i Cravalho é só o primeiro brilho visível desse recomeço.

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