O silêncio que sempre acompanhou Itachi Uchiha ganhou trilha de saxofone imaginária neste fim de semana: a produtora Pierrot publicou o primeiro conceito oficial do personagem para “Naruto Shippuden: Noir Edge”, minissérie animada que promete revisitar eventos já conhecidos por uma ótica de thriller urbano. O visual — sobretudo o sobretudo — trocou o vermelho vivo do clã por tons de asfalto, afiando a imagem do anti-herói a ponto de recolocar seu nome nos assuntos mais comentados do X/Twitter.
Não se trata apenas de fan service. A revelação ocorre a seis meses do aniversário de 25 anos da estreia do mangá e sugere uma estratégia de reverência calculada: renovar uma figura querida sem contradizer o cânone. A pergunta que paira é se essa “fase noir” ficará restrita à estética ou se abrirá espaço para leituras mais adultas da culpa e da política em Konoha.
Traço sombrio mira o público que cresceu com o anime
O design divulgado mantém o olhar cansado, mas reforça a paleta fria com sombras duras inspiradas em Blade Runner, segundo o diretor de arte Yuichi Fukushima. Em close, o mangekyō aparece menos brilhante e mais “enferrujado”, como se o poder tivesse um ônus físico visível. Para os fãs que acompanham Naruto desde a infância, a mensagem é clara: Itachi envelheceu com eles.
Aposta semelhante rendeu bons números à Netflix quando transferiu Hunter x Hunter para plataformas que tratam temas pesados sem filtros. Ao abraçar o noir, a Pierrot tenta surfar na mesma onda — ainda mais num mercado em que Jujutsu Kaisen e Chainsaw Man normalizaram violência gráfica em horário nobre de streaming.
Licenciamento da fase Noir renova o cofre de Kishimoto
Os primeiros contratos para camisetas, estátuas e colecionáveis começaram a circular junto com o teaser, segundo executivos ligados a grandes lojas de hobby no Japão. A vantagem financeira está em reaproveitar moldes: basta tingir de preto as já lucrativas linhas de Itachi para vender como peça “edição Noir”. A Hasbro fez movimento idêntico ao ressuscitar Starscream na forma heróica, virando a cabeça dos fãs de Transformers.
Linha de produtos já em pré-produção
- Funko Pop Noir Edge com previsão de anúncio na San Diego Comic-Con;
- Figuarts em PVC com efeito de corvos translúcidos, vazado por revendedores franceses;
- Light novel ilustrada que expande a operação encoberta da ANBU no arco reimaginado.
O mais intrigante é que a minissérie, composta de quatro episódios, deve chegar primeiro ao streaming internacional antes de passar na TV japonesa — inversão de rota que a Bandai Namco já testou ao adiar jogos de Dragon Ball em busca de sinergia global. Se funcionar, o modelo pode balizar futuros spin-offs de Naruto e até empurrar o autor Masashi Kishimoto, hoje consultor, para um envolvimento mais direto.
Enquanto isso, a discussão sobre Itachi nunca ter sido vilão de fato reacende em fórum após fórum. O que Noir Edge fará é cristalizar a ambiguidade em alto contraste — literalmente. Vinte e cinco anos depois, o Uchiha que matou o clã agora carrega todo um gênero cinematográfico nas costas. E o fandom, ao que tudo indica, está pronto para pagar o ingresso outra vez.

