Nem Thanos conseguiu segurar: em apenas 24 horas, “Spider-Man: Brand New Day” arrecadou US$ 161,3 milhões nos Estados Unidos e quebrou o recorde absoluto que pertencia a “Avengers: Endgame” desde 2019. Os números, confirmados pelos principais exibidores na manhã desta sexta-feira, recolocam o Homem-Aranha no topo de uma Marvel fragilizada por resultados mornos e pelas greves que paralisaram Hollywood no ano passado.
O feito vai além do troféu estatístico. Ao triunfar sem depender de um elenco coletivo de Vingadores, Peter Parker prova que a fórmula do herói solo — tida como esgotada no MCU — ainda mobiliza plateias desde que entregue urgência, nostalgia e um vilão fotografável para o TikTok. O estúdio, por sua vez, ganha fôlego para renegociar contratos e segurar a fuga de investidores que se intensificou após as decepções de “The Marvels” e “Ant-Man 3”.
Estreia turbinada por calendário vazio e marketing de micro-spoilers
O lançamento mirou o primeiro fim de semana pós-férias escolares nos EUA, quando a temporada de blockbusters costuma desacelerar. Sem concorrentes diretos — o terror independente “Hell in Ohio” soma apenas 700 salas —, “Brand New Day” monopolizou 38% das telas IMAX do país e converteu 62% da pré-venda em sessões premium, segundo a rede AMC. No Brasil, a Sony replicou a estratégia: ingressos antecipados somaram 420 mil unidades, o dobro da pré-estreia de “Guardians 3”.
Outra peça-chave foi a campanha de “micro-spoilers” liberados a conta-gotas nas redes sociais. Diferentemente do sigilo absoluto de “Endgame”, o estúdio vazou trechos de 3 segundos em Reels que revelavam só o suficiente para gerar teorias de multiverso sem entregar participações especiais. A prática criou um ecossistema de reacts que empurrou o trailer oficial para 289 milhões de visualizações em 48 horas, recorde histórico no Instagram.
Sony ganha trunfo nas renegociações com a Disney
Por trás da cortina, o recorde dá à Sony munição para esticar sua fatia no acordo de coprodução que vence em 2025. Hoje, o estúdio japonês fica com aproximadamente 75% da bilheteria de filmes do Aranha, mas cede direitos de streaming mundial ao Disney+. Fontes próximas às negociações dizem que a nova meta é inverter o fluxo: liberar a exibição internacional para o Hulu em troca de participação em futuros jogos e experiências VR.
O timing ajuda. A Disney acaba de sinalizar cortes de US$ 1,8 bilhão em conteúdo original, enquanto a Microsoft revisa seu próprio pipeline para segurar assinantes. Com dinheiro vivo chegando às salas, a Sony mostra que ainda pode gerar caixa sem se comprometer com séries de alto custo ou apostas em tecnologias especulativas como NFTs.
Recorde não garante a coroa total, mas muda a conversa
Apesar do arranque, especialistas projetam uma queda de 65% na segunda semana — padrão para blockbusters movidos a hype. Para superar os US$ 2,79 bilhões de receita total de “Endgame”, “Brand New Day” depende da China, mercado que reabriu as fronteiras sanitárias, mas mantém cotas rígidas para filme americano. Se a aprovação chegar tarde, o longa pode seguir o caminho de “No Way Home”, que brilhou sem os RMBs chineses e mesmo assim fechou em US$ 1,9 bilhão.
Independentemente do desfecho, o estrondo do primeiro dia já realinha prioridades no MCU. A quarta fase, marcada por coros de fatigue, passa a olhar com mais carinho para narrativas fechadas, enquanto a Disney percebe que não precisa enfileirar dez séries por ano para manter relevância. Depois de um 2023 tomado por bilheterias murchas e silêncio nos corredores dos estúdios, o Aranha disparou sua teia e puxou toda a indústria de volta ao teto do cinema evento.
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