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Oda empurra o fim de One Piece e redesenha o calendário bilionário do mangá

Eiichiro Oda quebrou a própria ampulheta nesta semana: o autor admitiu que o desfecho de One Piece, antes ventilado para “algo em torno de três anos”, não cabe mais nesse prazo. O mangaká avisou aos editores da Weekly Shonen Jump que “a grande viagem ainda tem quilometragem” e precisará de “mais alguns anos” para chegar à última ilha.

O recado passou quase despercebido como mera correção de rota, mas reabre um jogo gigante—e lucrativo—que envolve licenças, filmes, parques temáticos e a guerra por streaming que já elevou franquias como Berserk e Kaiju No. 8 a ativos estratégicos até 2026. Na prática, Oda acaba de presentear Toei, Shueisha e aliados com uma sobrevida confortável para multiplicar produtos enquanto o hype continua alto.

Oda estica a corda: arco final só deve acabar depois de 2027

Desde 2020 o autor repetia que o “fim estava à vista”, mas sempre colocando um intervalo de três a quatro anos. Agora, ao dizer que “vai levar mais tempo”, ele empurra naturalmente o capítulo derradeiro para além do aniversário de 30 anos da obra, em 2027. É a primeira vez que a série reconhece publicamente que nem mesmo o arco final—hoje com batalhas em Egghead—tem alvo fechado no horizonte.

Oda culpa detalhes de roteiro, mas bastidores indicam outro freio: a boa fase de saúde do autor ainda exige pausas frequentes, e a editora prefere alongar a obra a qualquer risco de hiato brusco. Cada semana extra na Jump significa, segundo analistas do mercado japonês, algo próximo de 250 mil exemplares adicionais em faturamento bruto, sem contar merchandising global.

Calculadora de bilhões: por que Toei, Shueisha e Netflix agradeceram o atraso

Com o mangá vivo por mais tempo, a Toei Animation ganha folga para adaptar arcos sem cair em fillers extensos, enquanto negocia um próximo longa para 2025—janela que ficaria apertada se o material original acabasse antes. A Shueisha, por sua vez, puxa a fila de novos box comemorativos, estratégia já testada pela TV Tokyo com Naruto em seu box de luxo de aniversário.

Do lado do streaming, a Netflix respira aliviada. A segunda temporada do live-action está programada para meados de 2025, e a existência de capítulos inéditos até lá mantém interesse orgânico na marca. O atraso também coincide com o lançamento de parques temáticos e colaborações—uma linha de sneakers à la Adidas & Pokémon já está em rascunho dentro da Bandai.

Janela perfeita para filmes e parques

Executivos da Universal Japan reservaram espaço para uma nova atração de One Piece em 2026, ano em que o parque comemora 25 anos. Se o mangá se encerrasse antes, a casa teria de vender nostalgia; com capítulos inéditos, vende relevância. A mesma lógica vale para o próximo filme animado—projetado para estrear entre as Olimpíadas de Los Angeles, em 2028, surfando na vitrine global.

A conta fecha assim: cada mês extra de publicação injeta milhões em licenças e impede que a franquia perca protagonismo numa vitrine dominada por reboots, atrasos como o de Evangelion: Cross Reflections e batalhas de nostalgia como o balde de pipoca de Transformers. Ao adiar o final, Oda não só ganha tempo para amarrar pontas soltas, como garante que o tesouro de Luffy continue a jorrar ouro real—pelo menos até o brinde do 30º aniversário.

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