Nem foi preciso rodar o primeiro cartucho de filme: as 10 mil unidades da Polaroid Pikachu 30th Anniversary evaporaram em menos de 24 horas nos Estados Unidos, Japão e Europa. O relançamento, que celebra três décadas de Pokémon, repete o roteiro de escassez visto com as bolachas Oreo e o cereal Kanto Crunch, mas em um produto muito mais caro — US$ 149.
O esgotamento relâmpago não é acidente logístico. Ao confirmar um segundo lote “ainda no primeiro semestre”, a Pokémon Company sinaliza que a falta faz parte do show: cria alarde social, movimenta revenda e desloca a conversa para fora dos games exatamente no ano em que a franquia precisa provar relevância além de Scarlet & Violet.
Venda relâmpago escancara estratégia de escassez controlada
Desde a collab com a Levi’s, em 2021, o grupo japonês testa limites de tiragem para medir apetite do fã adulto. Com a Polaroid, foi além: cada câmera vem numerada, acompanhada de película instantânea customizada com molduras de Pikachu — elemento que impede reposição simples nas lojas de foto e força o consumidor a voltar ao site oficial por refis.
O resultado apareceu no eBay uma hora após o “sold out”: anúncios a US$ 400, triplo do preço original. Para analistas de varejo geek, a manobra cria sensação de oportunidade única e desloca a paixão do jogo para o objeto físico, fenômeno semelhante ao que a Hasbro conseguiu com o Monsterbot G1.
Brasil deve receber segundo lote — e não será barato
Em resposta ao portal, a Polaroid confirmou negociações com importadores oficiais no país para o próximo carregamento, previsto para abril. Com impostos de eletrônico e taxa de filme fotográfico, o valor pode bater R$ 1.499 nas prateleiras especializadas, sem contar ágio de revendedores.
Ainda assim, lojas de colecionismo já abriram pré-reserva com pagamento integral — sinal de que a escassez internacional contaminou o mercado local. O risco? Entregas fracionadas: caso a cota brasileira seja reduzida, parte dos pedidos viraria vale-compras, praxe que já irritou compradores de outros produtos temáticos, como o kit “três-em-um” da Bandai Gundam X.
Polaroid ressuscita o filme instantâneo na onda do mascote
Para a veterana dos cliques instantâneos, o acerto vai além da publicidade cruzada. A versão comemorativa usa o corpo da Polaroid Now+, mas inclui filtros de lente em forma de pokébola e modo de dupla exposição inspirado em ataques elétricos, recursos que só existem no aplicativo próprio. Ou seja, o usuário é fisgado pela nostalgia analógica e pelo ecossistema digital da marca.
Internamente, executivos tratam a parceria como projeto-piloto para futuras licenças com outras franquias de anime — movimento que conversa com a recente “internacionalização de mascotes”, estratégia já vista quando a Sanrio trocou o foco da Hello Kitty por novos personagens. Se der certo, veremos mais filmes instantâneos temáticos nas vitrines antes mesmo do fim das comemorações dos 30 anos.
A moral da história? O fenômeno vai além de uma câmera fofa: é um laboratório de como transformar escassez fabricada em ferramenta de hype sustentável — lição que outras gigantes da cultura pop, de Goku a Totoro, já começaram a estudar de perto.

