Quando o episódio 170 de Black Clover foi ao ar, em março de 2021, a maior ameaça que o público do anime conhecia atendia pelo nome de Dante Zogratis. Dois anos depois, o mangá levou a escala de poder a um nível tão grotesco que transformou aquele vilão em figurante de luxo — e deixou o estúdio Pierrot com uma arapuca narrativa nas mãos.
O portal mergulhou na fase final da obra de Yūki Tabata, ranqueou os dez antagonistas mais fortes e descobriu um abismo entre o que o espectador de TV viu e o que o autor entregou no papel. A seguir, destrinchamos por que essa escalada coloca em xeque a eventual continuação animada e quais nomes dominam, hoje, o topo do mal no universo dos Touros Negros.
Escalada demoníaca depois da pausa do anime
O arco do Reino Spade, que começa logo após a pausa televisiva, já mostra a Dark Triad tomando posse de demônios de alto escalão. Mas Tabata não parou aí: abriu literalmente as portas do inferno com mais de uma dezena de demônios de nível superior, introduziu o conceito de mana words — feitiços que reescrevem a realidade — e, por fim, revelou Lucius Zogratis como hospedeiro de Astaroth, o diabo do tempo.
Esse barulho de poder não é mera pirotecnia. Ele pressiona a produção a repensar as coreografias mostradas até aqui: lutas que antes duravam segundos no mangá viraram episódios inteiros na TV; agora, um embate pode exigir capítulos duplos só para explicar habilidades. O dilema lembra o hiato de Demon Slayer: quanto mais o autor sobe a régua, maior o investimento que o estúdio precisa fazer para não decepcionar.
Do 10º ao 1º lugar: quem realmente manda hoje
Para medir a força, consideramos três critérios narrativos: impacto direto no enredo, grau de ameaça coletiva e domínio de mana. O resultado explica por que antigos chefões ficaram pequenos.
- Lucius Zogratis/Astaroth – Capaz de manipular o tempo, curar-se retroativamente e converter inimigos em paladinos; transcende a lógica de clover e spade.
- Lilith & Naamah fundidos – A fusão dos demônios gêmeos controla simultaneamente fogo e gelo em escala continental.
- Adrammelech – Não luta de verdade, mas observa tudo no inferno de segunda camada, sugerindo poder superior ao dos gêmeos.
- Morris rejuvenescido – Após ser “abençoado” por Lucius, ganhou regeneração infinita e decomposição biológica instantânea.
- Lucifero completo – Derrotado por Asta, mas ainda o diabo da gravidade com força bruta que entorta montanhas sem esforço.
- Zenon Zogratis 100 % – Porta-voz de Beelzebub, domina espaço e ossos com alcance que prende exércitos inteiros.
- Dante Zogratis pós recuperação – Gravidade mais corpo demoníaco autorregenerativo; perdeu relevância, mas não poder.
- Megicula – Maldição de sangue que mata deuses do coração; caiu porque estratégia coletiva foi sua criptonita.
- Liebe full sync – O diabo parceiro de Asta é forte, mas depende da antimagia do protagonista para desequilibrar batalhas.
- Vetto no auge – Único Olho do Sol da Meia-Noite que ainda entraria no top 10; hoje seria esmagado pelos cinco primeiros.
O ranking mostra que três nomes — Lucius, os gêmeos fundidos e Adrammelech — sequer existiam no corte do anime. E Morris, que já tinha saído da história, volta remodelado em caráter e habilidade. O que já era difícil de animar tornou-se um quebra-cabeça técnico de partículas, deformação de cenário e sincronia corporal raras vezes vistas fora de longas-metragens.
Poder absurdo trava o retorno da série, mas cria vitrine premium
Ainda que o filme “A Espada do Rei Mago” tenha obtido bons números na Netflix, a continuidade episódica exige outro fôlego financeiro. Cada um dos quatro primeiros vilões da lista pede efeitos que rivalizam a luta de G Gundam citada na análise de 30 anos da franquia G Gundam. O salto tecnológico inevitável já levou Pierrot a adiar, sem data, adaptações como “Solo Leveling”, confirmada há dois anos.
Há, porém, um lado positivo: o abismo de poder virou ativo comercial. Figurinos angelicais de Lucius, estátuas premium de Lucifero e réplicas de grimórios da Dark Triad já circulam em pré-venda, surfando a mesma onda “nostalgia dark” que impulsionou a edição sombria de Optimus Prime. Quem duvida pode checar o volume de fanarts no X (antigo Twitter), hoje 40 % maior que antes da pausa, segundo levantamento não oficial de engajamento de hashtags.
No fim, Tabata escalou o nível dos vilões a ponto de tornar irrelevante qualquer comparação com a primeira temporada. Essa ousadia pode atrasar o anime, mas também garante que, quando — e se — ele voltar, o espetáculo de poder será um divisor de águas para a animação shonen. Até lá, resta aos fãs decidir se encaram os spoilers do mangá ou aguardam, na antimagia da paciência, a próxima investida do estúdio.
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