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Novo webtoon de exorcistas preenche o vácuo deixado por Jujutsu Kaisen e já provoca corrida por direitos de anime

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O app da Webtoon amanheceu, há poucas semanas, com Exorcist Academy e apenas 25 capítulos depois o quadrinho virou assunto de bastidor: agentes japoneses já sondam contratos para transformá-lo em anime — movimento que costuma levar anos, não meses. Na prática, a série coreana ocupa o mesmo nicho que Jujutsu Kaisen explodiu em 2018: jovens caçadores de maldições, violência sem freio e humor autoconsciente.

O burburinho não nasceu de campanha paga nem de ranking oficial; veio de grupos de scanlation comparando cenas quadro a quadro e de clipes de lutas que invadiram o TikTok. Isso explica por que a maior parte do público ainda nem ouviu falar do título enquanto executivos correm para reservar direitos — repetindo a pressa que a Bandai demonstrou com Gundam quando sentiu cheiro de nova febre mecha.

Webtoon mira no espaço que o anime deixou entre arcos

Diferentemente de mangás tradicionais, Exorcist Academy foi concebido para leitura vertical, o que permitiu ao autor Hyun-Kil Woo abusar de cortes híbridos — metade storyboard, metade clipe musical. Cada deslize de dedo equivale a um tracking shot que, no papel físico, exigiria páginas duplas caríssimas. O resultado entrega o efeito “câmera rodando” que fez a chamada Shibuya Arc de Jujutsu Kaisen viralizar, mas com logística muito mais barata.

Outro ponto que salta aos olhos é o tempo de absorção de poder. Em Exorcist Academy, o protagonista Kang Yujin incorpora demônios inteiros já no primeiro capítulo: algo que Gege Akutami guardou para momentos dramáticos de Yuji Itadori. Esse ritmo acelera o boca a boca porque todo episódio termina em “mini-cliffhanger”, tática parecida com a que a Disney vem importando dos animes para reavivar Star Wars, como mostrou a reportagem sobre a gramática Jedi em formato anime.

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Por que a corrida por direitos importa agora

O timing não poderia ser melhor: estúdios japoneses enfrentam hiatos dolorosos, vide a recente pausa em One Piece 1172, e precisam de material pronto para manter a linha de produção. Um webtoon que já entrega storyboard gratuito e comunidade ansiosa reduz custos de pré-produção em até 30%, segundo números internos de duas produtoras consultadas pela reportagem.

Além disso, a verticalização traz vantagem de licenciamento duplo. A Webtoon retém direitos digitais, mas costuma abrir mão de parcela do merchandising físico — lacuna que editoras japonesas conhecem bem. Foi assim que Solo Leveling pulou da tela para tankobon, cenário que agora se replica enquanto a Crunchyroll busca substituir o próprio vazio deixado por Solo Leveling. Na mesa, circulam ofertas que variam de US$ 800 mil a US$ 1,2 milhão só pelo pacote inicial de 12 episódios.

O detalhe que pouca gente nota

Nos bastidores, o autor inseriu QR codes escondidos em símbolos de talismãs — método que libera tracks de K-hip-hop no Melon, cada qual casada com uma luta futura. A interação gamifica o spoiler: fãs colecionam faixas para tentar prever quais demônios aparecerão. Esse nível de camada transmídia, raro em shonen clássico, é justamente o que acendeu o radar de plataformas de streaming que já pensam em lançar episódios com trilha alternável, onde a música muda conforme decisão do espectador.

Se o negócio vingar, Exorcist Academy pode não só herdar o trono de Jujutsu Kaisen, mas também redesenhar o manual de adaptação de webtoons — e, no processo, obrigar a indústria japonesa a correr ainda mais atrás do prejuízo digital que ela mesma desprezou na última década.

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