A foto de equipe divulgada na noite de terça-feira por Kevin Feige não caberia emoldurada em nenhum QG dos Vingadores conhecidos. Pela primeira vez desde 2010, nenhum dos “seis grandes” — Stark, Rogers, Thor, Banner, Romanoff e Barton — aparece no retrato oficial do próximo filme coral. O registro confirma que Avengers: Doomsday rompe uma tradição de 14 anos e abre espaço para um elenco inteiramente novo de pesos-pesados, entre eles Jean Grey, Monica Rambeau e o Senhor Fantástico.
O detalhe que poucos perceberam no primeiro scroll: ao centro da imagem, Robert Downey Jr. surge de terno escuro sem um único centímetro de nanotecnologia visível. O ator veste o mesmo figurino enigmático que levantou suspeitas na Comic-Con e, segundo bastidores, sinaliza que ele volta sim, mas como variante de Doutor Destino — vilão que muda a balança de poder justamente quando os fundadores deixam a mesa.
Ausência total dos seis originais vira a chave da Fase 7
Até Ultimato, a Marvel mantinha pelo menos um Vingador raiz em cada encontro de equipe, servindo de ponte emocional e de marketing. Mesmo produções paralelas, como as participações de Thor em Guardiões da Galáxia ou de Hulk em Shang-Chi, preservavam o fio de continuidade. Doomsday quebra esse elo logo no anúncio oficial, liberando a franquia de uma herança criativa que já custava caro e travava negociações de agenda.
A decisão vai além do casting. Sem as antigas referências, o roteiro ganha liberdade para fundir núcleos que antes viviam separados — a chegada relâmpago de Jean Grey, debatida aqui quando analisamos o projeto solo da mutante, ilustra a pressa do estúdio em fazer dos X-Men um motor narrativo. O mesmo vale para o braço cósmico, agora representado por Rambeau, cuja recente aproximação da nova Tempestade já expunha essa intenção.
Downey como Destino simboliza ruptura e protege legado de Stark
O retorno de Robert Downey Jr. sempre pareceu inevitável, mas a Marvel precisava blindar o peso dramático do sacrifício de Tony em Ultimato. Ao escalar o ator como antagonista, o estúdio cumpre dois objetivos: agrada à base de fãs que sente falta do carisma de Downey e, ao mesmo tempo, mantém a morte do herói como evento canônico. A pista estava no traje sem repulsores apresentado na Comic-Con, decifrada quando relatamos o enigma do terno.
Nesse movimento, a Marvel ainda resolve um impasse de escalação. Sem Chris Evans ou Scarlett Johansson no set, a figura de Downey — mesmo deslocada para o lado sombrio — garante o rosto familiar no pôster, mas em uma função que acelera a entrada do Quarteto Fantástico e justifica a participação de heróis antes inéditos. O efeito colateral calculado: abre-se caminho para um Doomsday potencialmente mais imprevisível, uma deficiência que já havia sido apontada quando Walker Scobell deixou escapar detalhes de um certo vazamento envolvendo Tobey Maguire.
Ao oficializar a foto sem os Vingadores fundadores, a Marvel não apenas zera o placar: ela declara, em imagem, que o MCU pós-Fase 7 pertence a outra geração — uma geração capaz de misturar mutantes, cósmicos e variantes sinistras de velhos ídolos sem pedir a bênção de ninguém.

