Hal Jordan pode não sair herói do primeiro ano de “Lanterns”. A teoria que circula nos bastidores de Burbank sustenta que o piloto mais famoso da DC encerrará a temporada possuído por Parallax, entidade do medo que o coloca imediatamente a serviço de Sinestro e do corpo amarelo. Se isso se confirmar, a série de James Gunn estreia no Max já plantando a maior traição da Tropa dos Lanternas Verdes.
A possível queda de Jordan resolve dois enigmas que atormentam o novo DCU: por que a Terra tem tantos Lanternas e qual vilão pode unificar as próximas produções sem recorrer, de novo, a Darkseid. O movimento também inverteria a polêmica racial que ronda o personagem há anos, expondo que o problema nunca foi de cor, mas de poder — algo que já foi mapeado nos quadrinhos.
Virada vilanesca desengaveta a regra de “um Lanterna por setor”
Nos gibis, Parallax surge quando Hal sucumbe ao medo e rompe o equilíbrio da Tropa, justificando a multiplicação de Lanternas humanos. A série pode usar a mesma lógica: com Jordan corrompido, o Conselho dos Guardiões teria motivo imediato para convocar mais protetores do setor 2814, abrindo passagem para Guy Gardner, Kyle Rayner e Jessica Cruz sem atropelar a cronologia.
Essa cartada ecoa a brecha de 1966, quando os roteiristas acharam um furo no estatuto da Tropa para manter vários Lanternas na Terra. Ao dramatizar a falha de Hal em live-action, Gunn entrega ao público um motivo narrativo orgânico e, de quebra, tira o fardo de John Stewart ser “o Lanterna reserva”, debate que o estúdio começou a contornar ao envelhecer o personagem em “Lanterns”.
Parallax como vilão-pivô da fase “Deuses e Monstros”
Transformar Jordan no antagonista interno oferece uma ameaça flexível, capaz de transitar entre séries de TV e filmes. Parallax lida bem com histórias de detetive espacial, como será o tom “True Detective” prometido por Gunn, mas pode escalar para conflitos cósmicos que envolvam Superman ou até a Supergirl de Milly Alcock, cujo próximo longa a reunirá com quatro pesos-pesados, segundo plano já revelado pelo estúdio.
A estratégia lembra a virada de ponto de vista adotada no spin-off do Batman, que o DCU assumidamente copia do Aranhaverso. Ao colocar o herói titular como ameaça, o roteiro abre espaço para desenvolver secundários sem depender do vilão da semana — estrutura que também blindou “Peacemaker” na primeira fase do cineasta.
As pistas de luz amarela que já aparecem nas gravações
Fontes ligadas às filmagens falam em uniformes com detalhes âmbar expostos apenas em testes de câmera fechados ao público. Há, ainda, a informação de que o set usa codinome “Fear State” nas pranchetas de produção, termo indissociável da energia amarela. Trocadilhos de departamento raramente são gratuitos nesse estúdio: foi num rascunho de storyboard que fãs perceberam o primeiro ponto de costura do novo Superman.
Se a teoria vingar, “Lanterns” não será apenas a porta de entrada do espaço no DCU — será também o primeiro choque emocional do público com a ideia de que nenhum uniforme verde está salvo quando a luz do medo atravessa o anel.

