Tudo estava pronto para o “Eternals 2” entrar em pré-produção quando o comando da Marvel Studios recebeu a ordem de congelar o projeto. A decisão, confirmada por fontes ligadas ao estúdio, marca o quinto longa-metragem do Universo Cinematográfico cancelado desde o início dos cortes da Disney e encerra de vez a fase de apostas menos conhecidas dentro da marca.
O baque não é só criativo: ao eliminar um filme já divulgado em painéis e pôsteres, Kevin Feige sinaliza ao mercado que o novo mantra é “menos títulos, mais impacto”. A guinada chega num momento em que “Avengers: Doomsday” — ainda inédito — já bate recordes de favoritos no Disney+, mostrando que o público responde melhor a mega-eventos do que a ramificações paralelas.
Corte atinge ‘Eternals 2’ e sela o fim da fase experimental
Nos últimos quatro anos, a Marvel insistiu em franquias fora do circuito dos Vingadores, de “Os Eternos” a “Ms. Marvel”. O retorno financeiro, porém, foi cada vez menor: o primeiro “Eternals” arrecadou menos do que qualquer outro título da Fase 4. O cancelamento da sequência coloca ponto final na era de exploração cósmica que tentou ampliar o escopo narrativo da marca.
A escolha não é isolada. Antes dela caíram “Nova”, “World War Hulk”, “Ant-Man 4” e a animação “Wonder Man”. Cinco cancelamentos formam um padrão: filmes centrados em personagens de segundo ou terceiro escalão são agora o primeiro alvo da tesoura, enquanto projetos de apelo direto — como a continuação de “Brand New Day” e o já citado “Doomsday” — permanecem blindados.
Disney persegue lucro estável no streaming, não risco nas bilheterias
Ao congelar um filme que custaria estimados US$ 250 milhões, a Disney livra o caixa de um investimento cujo break-even dependeria de pelo menos US$ 700 milhões em ingressos, algo inalcançável para um elenco ainda pouco carismático. Em vez disso, o dinheiro será redirecionado para séries mais baratas e para campanhas de marketing que ampliem o tempo de permanência dos assinantes no Disney+.
A estratégia de resgatar a trilogia do Homem-Aranha de Sam Raimi, relatada em reportagem recente, já dava pistas: catálogo velho com alto índice de revisão custa menos do que blockbuster inédito. O cancelamento de “Eternals 2” apenas consolida a lógica de retenção de streaming como prioridade número 1.
Calendário 2026: por que Vingadores ficou intocável?
Com o cenário enxugado, o cronograma passa a girar em torno de dois eixos: os Vingadores e o relançamento dos X-Men. “Avengers: Doomsday”, protegido de cortes mesmo em plena reestruturação, mostra que o estúdio considera imperativo lançar um evento cinematográfico a cada três anos para manter a relevância cultural — e, claro, o merchandising.
Para os mutantes, a lógica se repete. O novo intérprete de Ciclope, prestes a quebrar 26 anos de coadjuvância, entra num cronograma que já absorveu recursos liberados pelo fim de “Eternals 2”. A leitura dentro do estúdio é simples: se o público quer épico com personagens consagrados, é aí que o dinheiro deve ficar. O futuro do MCU, ao que tudo indica, será menor em volume — e muito maior em expectativa.

